O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
No ano de 1941, durante o Estado Novo, foi decretada a proibição da prática de esportes, considerados marjoritariamente masculinos, ao público feminino. É indubitável que, na contemporaneidade, o futebol feminino vem conquistando maior visibilidade social, destacando-se o importante papel da mulher nesse esporte. Nesse sentido, destaca-se a emancipação feminina junto à desconstrução de estigmas de gênero.
A priori, durante a Copa do Mundo Feminina de Futebol, a jogadora Marta estreou com uma chuteira diferente em protesto pela igualdade de gênero. Nesse ínterim, é incontrovertível a importância da mulher no meio futebolístico para a emancipação dessas na sociedade, uma vez que quebra a lógica machista de que o futebol é um esporte feito apenas para o sexo masculino. No entanto, apesar do avanço feminino nessa área, ainda há a presença de grandes disparidades de remuneração e premiações em relação aos homens que, segundo o jornal El País, recebem cerca de cinco vezes mais para defender a pátria. Dessa forma, a luta feminina no tocante a maior visibilidade no meio futebolístico adquire uma valor social que demonstra a realidade vivenciada por esse grupo o qual é, históricamente, vítima de opressões e desigualdades.
Ademais, no ano de 1979, a deliberação que proibia as mulheres praticar esportes acabou revogada, o que permitiu a criação das primeiras ligas. Nessa pespectiva, a inserção da mulher no meio esportivo caracterizou a quebra de diversos estigmas que atuam sobre o sexo feminino, principalmente no que diz respeito à “natureza feminina”, geralmente atrelada à maternidade, propagada no corpo social. Porém, mesmo com tamanha representividade, o desejo da prática futebolística ainda é muito oprimido naquelas que, desde cedo, querem seguir uma carreira nessa área, como foi o caso da jogadora Thays Ferrer, a qual passou por diversas dificuldades com relação ao apoio de seu pai para adentrar no futebol. Dessarte, a visão preconceituosa que existe na sociedade é um fator de atraso que contribui para a inércia da sociedade brasileira.
Em suma, medidas fazem-se necessárias com relação ao papel da mulher no futebol. A princípio, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), deve realizar um acordo de garantia de igualdade em termos salariais para suas seleções masculina e feminina, no intuito de mitigar as disparidades existentes. Somado a isso, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve criar políticas públicas com reflexos nas escolas, que propaguem a importancia da diversidade no futebol, a partir da inserção das meninas no esporte, atuando também na conscientização do meio familar, para que sejam mitigados os preconceitos que penduram na sociedade.