O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
Nísia Floresta, em 1838, preocupada com o sistema patriarcal, fundou uma escola para meninas que ensinava o que não era socialmente convencional na época. Infelizmente, a desigualdade de gênero observada pela educadora há séculos passados ainda é muito evidente no mundo contemporâneo, não apenas na educação mas também no futebol. Sendo esta uma questão social, debater sobre o papel da mulher no futebol e os empecilhos para inclusão feminina nesse esporte é necessário.
É importante, antes de tudo, ressaltar a contribuição na luta pelo fim dos estereótipos de “sexo frágil” como papel fundamental da mulher no futebol. Devido a persistência de uma mentalidade machista, a qual a mulher era vista apenas pela sua capacidade domestica, há 40 anos as mulheres ainda eram proibidas por lei de jogar bola. No entanto, a inserção das mulheres no futebol ajuda a quebra qualquer preconceito que insiste em colocar a mulher em uma posição inferior ao do homem. A jogadora Marta, por exemplo, ja fez mais gols pela Seleção Brasileira do que Pelé e foi considera pela sexta vez a melhor jogadora do mundo, sendo uma grande representante do papel da mulher no futebol.
No entanto, mesmo tendo esse papel de representatividade na luta pela igualdade de gênero, existem dificuldades que impedem a participação da mulher no futebol, como a falta de investimento. Isso porque a falta de verba dos times femininos prejudica não só a qualidade de treinos, mas os baixos salários acabam também desestimulando as mulheres de continuarem no esporte. Enquanto países, como a Noruega, selaram um acordo de garantia de igualdade em termos salariais e prêmios para suas seleções masculinas e femininas, o Brasil vai na direção oposta. Prova disso é que no ano passado, a Confederação Brasileira de Futebol destinou à equipe feminina campeã do Brasileirão um valor 141 vezes menor do que o dado aos homens.
Fica claro, portanto, que a mulher no futebol tem papel importante na luta pela igualdade de direitos na sociedade, contudo existe ainda dificuldades que precisam ser derrubadas para ocorrer a verdadeira inclusão. O primeiro passo é acabar com a ideia do “sexo frágil”, para isso o Ministério da Educação deve desenvolver políticas públicas de conscientização nos mais diversos meios de comunicação para atingir todas as famílias. Além disso, o Ministério Público precisa negociar com A Confederação Brasileira de Futebol uma igualdade no salário de acordo com classificação do time e não pelo gênero dos atletas. Assim as desigualdades de gênero, vista por Nísia Floresta no século dezenove, não fará parte do futuro das atletas brasileiras e as mulheres poderão exercer seu papel no futebol plenamente.