O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
No início do século XX, o futebol no Brasil se consagrou como uma forma de demonstração do poder masculino através do esporte, segundo Katia Rubio, pesquisadora da Universidade de São Paulo. Dessa forma, foi inerente a proibição de sua modalidade feminina por cerca de 40 anos, com o pretexto de que era incompatível com a natureza da mulher. No contexto social vigente, é perceptível que o machismo ainda influencia o esporte de maneira negativa, pois apesar de ser entendido que a competência ao realizar atividades não é definida por gênero, o futebol feminino é invisibilizado pela pela sociedade, e as personalidades que atuam nesse meio são desvalorizadas.
A princípio, é necessário refletir a respeito do papel da mídia social em relação a representatividade das mulheres no meio esportivo. Durante a copa do Mundo Feminina, em 2019, observou-se um aumento de 20% na busca por escolas de futebol para meninas entre 9 e 20 anos no estado de São Paulo, mesmo com a pouca divulgação do campeonato através de canais comunicativos. De forma análoga, o crescente interesse feminino por tal desporto é consequência das narradoras, comentaristas, jornalistas esportivas, técnicas e árbitras que tiveram o êxito de realizar feitos considerados históricos e amplamente divulgado por veículos de notícias esportivas, como a francesa Stéphanie Frappart, a primeira mulher a arbitrar um jogo da Supertaça Europeia, em 2019. Logo, revela-se que a conquista de um espaço predominantemente masculino só é possibilitada com incentivos adequados, como a divulgação do trabalho feminino por meio de campanhas publicitárias.
Em segundo plano, é preciso debater acerca das condições de trabalho nas quais as mulheres desse meio são submetidas. É notório que o esporte reflete o ideal patriarcal e machista da sociedade brasileira, que estabelece empecilhos como a falta de investimento, a negligência na manutenção dos campos e a diferença salarial de quase 25% entre jogadores de sexo diferente nas mesmas categorias. Diante desse cenário, o movimento “Equal Pay”, que pede igualdade salarial e melhores condições de trabalho, ganhou representantes no futebol feminino, como a brasileira Marta, considerada seis vezes a melhor do mundo pela FIFA, que utiliza chuteiras sem patrocínio e com o símbolo de igualdade, e a norte-americana Megan Rapinoe, artilheira e campeã mundial, que discursou sobre a reivindicação por melhores salários ao receber o prêmio de melhor do ano de 2019.
Diante dos fatos mencionados, é importante que o papel das mulheres no futebol seja reconhecido. Desse modo, a Secretaria dos Esportes deve realizar um trabalho de conscientização, por meio de propagandas que incentivem a prática, a valorização e a justiça na conjuntura salarial, a fim de que haja, de fato, uma devida participação feminina nos moldes da dignidade humana.