O papel da mulher no futebol
Enviada em 04/05/2020
O filme da Disney “Mulan” conta a trajetória de uma garota que,para salvar seu pai,busca substituí-lo na guerra. Contudo,como tal prática era proibida para as mulheres,ela se disfarça de homem para conseguir. Assim como na ficção,o grupo feminino viu,ao longo dos anos,suas habilidades serem contestadas e foi excluído de muitas atividades devido ao preconceito de gênero. Essa persistente realidade torna-se visível ao se analisar os entraves e a marginalização enfrentada pelo futebol feminino que,atualmente,assume um papel de representatividade e de símbolo na luta pela igualdade, em uma sociedade marcada pelo domínio da lógica machista e capitalista.
Primeiramente,é válido destacar que a participação feminina nesse esporte representa um processo de superação da desigualdade de gênero que,ainda hoje,afasta as mulheres de práticas consideradas masculinas. Esse pensamento segregacionista exemplifica o conceito de “Habitus” do filósofo Bourdieu, de acordo com o qual o indivíduo é moldado pelos costumes do ambiente em que vive,passando a exteriorizar os hábitos interiorizados. Nessa lógica,a sociedade brasileira,por ser construída com base em um cultura machista,apresenta e alimenta limitações à figura feminina. Dessa maneira,a população, ao indicar o futebol como o principal retrato da masculinidade,contribui para a permanência do preconceito contra essa camada e enfraquece a representatividade e a luta das atletas.
Ademais,é importante citar que,no esforço de alcançar a igualdade,as participantes dessa modalidade encontram como barreira,além da cultura machista,a apatia do mercado. Esse problema tem como suporte uma sociedade movida por ideias capitalistas e está de acordo com o pensamento dos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo esses especialistas,a “Indústria Cultural” caracteriza os atuais meios de comunicação de massa,em que prevalece o individualismo e a busca constante pelo lucro. Nesse sentido,a mídia,ao visar apenas o crescimento da audiência e do capital,utiliza seu poder de informar,moldar e entreter a população de modo irresponsável,uma vez que ignora e incentiva a desigualdade e o preconceito contra a mulher no esporte. Esse realidade se apresenta pela valorização dada ao futebol masculino em detrimento do feminino,mediante diferenças salariais e de visibilidade,práticas essas que tornam as profissionais um símbolo da luta contra essa questão mundial.
Logo,para valorizar a atuação feminina no futebol,os clubes devem incentivar a participação da mulher,por meio da criação de equipes femininas e de projetos,como centros de base,que visem a entrada,desde a infância,desse grupo no esporte,a fim de buscar superar o preconceito. Ademais,essas organizações,juntamente com a mídia,devem estimular o apoio e o engajamento social,mediante campanhas e transmissão dos jogos nas redes,visando o reconhecimento do papel da mulher.