O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, homens e mulheres são iguais perante a lei e devem possuir os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Sabe-se que, apesar do avanço no reconhecimento de gênero e no lugar de fala na sociedade, as mulheres ainda sofrem preconceito advindo do machismo imposto desde tempos antigos. Dentre os inúmeros exemplos, isso pode ser observado na não valorização da participação feminina no futebol, mesmo com seu enorme significado.       Em primeira análise, baseado na teoria da dualidade do filósofo Pierre Bourdieu, o ser humano não nasce com ideais formados, ele adquire através da interiorização do exterior e os transmitem, ao longo de sua vida, por meio da exteriorização da interioridade. Em outras palavras, as pessoas não nascem com pensamentos ou posicionamentos críticos a respeito de algo, mas sim são induzidos pelo meio em que vivem ou pela forma que foram educados. Sobre isso, é possível relacionar essa prática com a desvalorização feminina no futebol devido ao machismo ainda presente na sociedade que, consequentemente, gera desigualdade e a ideia de inferiorização feminina. Esse preconceito, por muito tempo, naturalizou o pensamento de que futebol é esporte de homem e, ainda assim, a mulher por ser logo associada a corpo frágil não deve praticá-lo por preservação da sua feminilidade.

Em segunda análise, segundo pesquisa feita em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apesar de exercerem as mesmas funções em um mesmo cargo, mulheres recebem aproximadamente 73% do salário de um homem. Tem-se como exemplo disso, a comparação dos salários anuais do jogador brasileiro Neymar Júnior e da futebolista brasileira Marta Vieira, a qual esta, apesar de ser eleita melhor jogadora do mundo pela sexta vez, carrega no seu histórico uma maior quantidade de gols marcados pela seleção do que o outro citado, e recebe, ainda assim, uma quantia absurdamente menor.  Infelizmente, casos assim ainda acontecem, mas espera-se que essa tendência mude, visto que, a conquista desse espaço pelo público feminino significa a desconstruções de tabus.

Portanto, sobre o papel da mulher no futebol, é necessário que os centros educacionais fortaleçam o posicionamento racional dos alunos e desconstruam os resquícios de machismo, por intermédio de aulas e palestras por profissionais com discursos que intensifiquem a importância da voz feminina nos aspectos sociais, inclusive nos futebolísticos. Outrossim, é importante que a Confederação Brasileira de Futebol busque diminuir as disparidades de gênero, por meio de revisões trabalhistas dos salários dos jogadores, com a equivalência dos direitos de cada pessoa pelo seu potencial. Dessa forma, que tudo isso seja feito com a finalidade de diminuir a desigualdade ainda existente e de possibilitar um maior reconhecimento social feminino, conforme contém na Constituição de 88.

a sociedade busque dar mais apoio as seleções femininas, por meio de um maior envolvimento e reconhecimento do potencial feminino nos campeonatos e treinos o que, consequentemente, dará uma maior credibilidade aos jogos e