O papel da mulher no futebol

Enviada em 01/05/2020

No ano de 2019, Marta, jogadora da seleção brasileira, chamou a atenção de todos ao, durante o jogo na copa contra a Austrália, usar uma chuteira diferente, de cor preta, com o objetivo de protestar a favor da igualdade de gênero no futebol. A partir desse acontecimento, pode-se trazer à tona a discussão sobre um problema: a existência, ainda, de fatores que comprometem o papel da mulher no futebol nacional e internacional. Entre esses entraves estão o preconceito e o trabalho de uma mídia que não valoriza o esporte feminino.

A princípio, de acordo com sociólogo Pierre Bourdieu, o corpo social é permeado por uma série de conceitos, os quais são anteriores e exteriores ao indivíduo, coerentes ou incoerentes, definidos por ele como “Habitus”. Nesse aspecto, pode-se afirmar que o “Habitus” se manifesta na sociedade brasileira atual de maneira negativa, por meio de várias ideias machistas e preconceituosas acerca da mulher esportista. Em decorrência disso, o papel da mulher no futebol, uma modalidade que durante muito tempo foi monopolizada pelos homens, acaba por ser prejudicado. Isso se manifesta ao passo que o sexo feminino é alvo de pensamentos discriminatórios, os quais estão carregados de mensagens que sabotam não apenas a sua imagem, mas também a sua competência como atleta.

Além disso, segundo os teóricos Adorno e Horkheimer, a mídia se configura como uma das grandes produtoras da cultura de massa, ou seja, ela reproduz conteúdos com fins essencialmente lucrativos e comerciais. Nesse prisma, é importante perceber que os veículos midiáticos contribuem de maneira forte para o enfraquecimento do papel da mulher no futebol. Isso porque eles fazem do esporte sua mercadoria, dão propositadamente mais destaque às modalidades masculinas, já que essas ainda atraem uma audiência maior e lucros com a exibição mais elevados. Assim, enquanto os meios de comunicação focam nos homens, as mulheres atletas são deixadas de lado.

Logo, é preciso adotar medidas para combater essa situação. Para isso, as escolas devem combater o preconceito de gênero, por meio da realização de debates e palestras que abordem o assunto, a fim de desconstruir, na sociedade, mentalidades ultrapassadas e machistas, as quais apontam o homem como superior superior às mulheres, sobretudo nos esportes. Além disso, os comitês organizadores de jogos precisam valorizar o futebol feminino, por meio da realização de mais investimentos na produção dos campeonatos nos quais as mulheres participem e na sua divulgação. Tudo isso com o intuito de atrair um maior púbico para essa modalidade e acabar com o monopólio do futebol masculino na mídia.