O papel da mulher no futebol

Enviada em 03/05/2020

Segundo o IBGE, o salário feminino  ainda corresponde a cerca de 70% do salário masculino nas mesmas categorias trabalhísticas. Essa realidade comprova que a cultura patriarcal ainda se encontra arraigada em diversas esferas sociais, como é o caso da hiper-valorização do futebol masculino em detrimento ao feminino. Com esse embasamento, cabe pontuar o papel da mulher na criação de público para o futebol feminino e na luta por um sistema pautado em equidade de gênero.

De início, o primeiro papel da mulher no futebol consiste em participar da criação de tradições que valorizem a categoria feminina do esporte. Esse apoio é fundamental porque permite suscitar maior de- manda às corporações a partir do aumento no número de espectadores. Tal processo de estímulo advém da atividade  das mulheres em geral em utilizar momentos de lazer para acompanhar jogos dos times femininos, reunir família e amigos nas partidas, comprar materiais da seleção e divulgar nas redes. Em diálogo com essa cooperação, a escritora “bell hooks” pontuou a necessidade da sororidade entre mulheres, isto é, a solidariedade política articulada contra opressões sexistas, o que demonstra a importância da criação de ritos em torno do futebol feminino. Desse modo, portanto, tradições que são, muitas vezes, exclusivas ao futebol masculino seriam direcionados ao apoio ao esporte feminino.

Em segundo lugar, as mulheres têm o papel de exigir equidade nos esportes por meio da luta por políticas afirmativas. Isso porque, embora o papel individual de cada uma seja importante, é preciso um sistema que garanta justiça às jogadoras em termos de salário, patrocínio e propaganda. Em consonância com isso, o sociólogo Milton Santos afirmava que as empresas hegemônicas criam seus consumidores antes mesmo de criar seus produtos, ou seja, há uma cultura patriarcal que sustenta a exclusividade do futebol masculino e dificulta o surgimento de apoio massivo à presença feminina no esporte. Isso é visto, por exemplo, no pouco incentivo à participação de meninas, desde a infância, em brincar de futebol ou em gostar de esportes. Assim, criam-se espaços de privilégio para o homem, o que alimenta o ciclo de desigualdade; logo, é fundamental a luta política pela equidade no futebol.

Em suma, diante dos papéis da mulher no futebol, é preciso que Youtubers e artistas façam campanhas de apoio aos times femininos por meio de conteúdo digital que incentivem grupos sociais a acompanhar os jogos em família, comprar artigos da seleção feminina e notar a importância nessa colaboração, a fim de aumentar o número de espectadores e de patrocinadores. Somado a isso, o Poder Legislativo deve elaborar lei de cotas no futebol por intermédio da obrigatoriedade dos grandes times na igualdade salarial de gênero e na presença da categoria feminina, objetivando a equidade de direitos no futebol. Dessa maneira, a cultura patriarcal deve, paulatinamente, ser extinta.