O papel da mulher no futebol
Enviada em 04/05/2020
Sandro Botticelli, em sua obra renascentista Vênus, representa os ideais de uma sociedade que enxergava a mulher de forma idealizada. Apesar da distância temporal, muitas pessoas ainda insistem, no panorama atual, em arquitetar o local da mulher na sociedade, principalmente quando se tratam de assuntos que, durante muito tempo, foram interpretados como atitudes masculinas como exemplo o futebol. A partir disso, é possível entender que a representatividade feminina nessa área esportiva vai além de um simples posição e consegue alcançar proporções muito mais complexas, contribuindo, portanto, para a desconstrução do preconceito presente na sociedade, bem como da idealização de que a mulher não pode ocupar qualquer que seja a posição social.
É preciso, inicialmente, entender que a desvalorização da mulher ainda é um tema muito recorrente nos campos brasileiros. Isso ocorre, principalmente, quando se trata da disparidade salarial entre atletas masculinos e femininos, pois, infelizmente, a mulher recebe uma quantia que equivale a 70% do salário de um homem de acordo com a pesquisa realizada, em 2010, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Partindo dessa análise e entendendo que esses dados se aplicam a sociedade feminina em geral , é evidente que o papel da mulher no futebol serve, também, para escancarar para a população a importância que se deve dar a esse tema, visto que muitos fornecedores de empregos ainda compactuam com esse tipo de preconceito e ele deve ser combatido.
Pontua-se, do mesmo modo, que a não aceitação de que a mulher pode ser uma jogadora de futebol revela muito sobre o posicionamento disciplinador da sociedade. Isso pode ser explicado partindo da ideia da disciplinarização dos corpos descrita por Michel Foucault, a qual revela que as esferas de poder, nesse caso a sociedade, entende a mulher como o corpo dócil que deve se enquadrar nos padrões que essa mesma sociedade exige, o que envolve comportamentos e posições sociais. Por isso é relevante a mulher no futebol, já que, desse modo, é possível desconstruir a idealização de que, por se feminina, a mulher não pode prestigiar a profissão que ela quiser.
Percebendo, portanto, a importância feminina no futebol brasileiro e o poder que isso implica na sociedade, é fundamental que o Ministério da Mulher, Família e Direitos humanos, em virtude da sua responsabilidade social, desenvolva medidas de combate ao preconceito e ao pensamento de que a mulher está englobada em uma espécie de estamento social. Isso deve ser feito por meio de políticas públicas que defendam a igualdade salarial entre mulheres e homens, tomando por base as qualificações profissionais, assim como por intermédio de propagandas que influencie a igualdade e a liberdade profissional, a fim de desconstruir o preconceito e a idealização que se tem da mulher.