O papel da mulher no futebol

Enviada em 06/05/2020

Na Antiguidade Clássica, a cidade de Atenas continha um espaço de participação e discussão coletiva limitada ao pequeno contingente de indivíduos considerados cidadãos na época: a Ágora. Assim também ocorre na conjuntura social brasileira, em que a mulher é desestimulada e/ou restringida de praticar o futebol, tanto no âmbito recreativo quanto profissional, por este ser associado à figura masculina. Dessa forma, é inescusável analisar a gênese dessa coerção, além de indagar a importância de se redefinir o papel da mulher no meio futebolista.

Em primeiro plano, é evidente que a herança ideológica do sexo feminino, como algo inferior e servente ao homem, conservou-se na coletividade e perpetuou por meio de uma “visão de mundo androcêntrica”, a exclusão das mulheres de papéis considerados masculinos, como o futebol. Sob esse viés, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a violação dos Direitos Humanos não consiste apenas do embate físico, o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de preconceitos, ou seja, uma violência simbólica. Por conseguinte, percebe-se que essa forma estrutural e sutil de opressão, desautoriza e desestimula a presença da mulher no meio futebolista, o que ratifica a premissa do protagonismo masculino e, assim, “escanteia” a representatividade e a imagem feminina.

Em segundo plano, é preciso analisar as repercussões de se redefinir o papel da mulher no futebol e, por conseguinte, na sociedade. Nesse sentido, segundo a filósofa existencialista Simone de Beauvoir, o homem é definido pela sociedade como ser humano, enquanto a mulher é definida como “fêmea”. Isto posto, quando a mulher começa a se comportar como ser humano e adentrar espaços que, até então, eram exclusivos da figura masculina, como o futebol. Dessa forma, há uma coerção do meio, não necessariamente física, para que a mulher abandone os espaços considerados masculinos, em que se cria uma aversão às mulheres que desafiam os padrões impostos.

Portanto, é necessário um “olhar” que valorize e promova a participação das mulheres no futebol, de modo que se desconstrua o ideal da dominação masculina na mente das pessoas. Para isso, urge que os Centros Educacionais, com incentivo do Ministério dos Direitos Humanos, promovam a criação de aulas gratuitas de futebol feminino, em que se deve haver uma orientação dos docentes de educação física para que os mesmos estimulem a capacidade das mulheres e a sua inserção no esporte. Assim, então, será possível que se construa uma olhar mais igualitário e se derrube a segregação de gêneros.