O papel da mulher no futebol

Enviada em 02/05/2020

Segundo a filósofa Simone Beauvoir, a mulher diminui a diferença entre ela e o homem por meio do trabalho e, só desta maneira, ela pode garantir uma independência concreta. De fato a pensadora feminista estava certa, elas buscaram seu lugar no mundo, inclusive em áreas de predominância masculina. No futebol, por exemplo, o papel da mulher ultrapassa o de ser apenas uma atleta e passa a ser também o de combatente à desigualdade de gênero, de salário e aos paradigmas machistas.

Conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística), a diferença entre salários de homens e mulheres com a mesma função e formação, chega a ser quase 30% a menos para elas e, no futebol não seria diferente. Enquanto a Federação Internacional de Futebol investe cerca de 4 milhões de dólares em premiações nos torneios femininos, são injetados 38 milhões de dólares nos masculinos e essa mesma discrepância acontece com os salários e investimento na promoção dos campeonatos. Com isso, é notório o machismo que ainda está encrustado nesse esporte, que alimenta a desigualdade de gênero e reforça a concepção retrógrada de desprestígio para com o futebol feminino que a maioria dos dirigentes de clubes, mídia e patrocinadores têm.

Embora haja um aumento no investimento do futebol feminino nos últimos anos, ainda existe um abismo de valoração entre o trabalho de homens e mulheres, e, segundo os dirigentes de clubes, o que justifica isso é que o torneio delas é menos rentável, porque não há interesse da mídia, dos patrocinadores e do público. Em contradição a essa justificativa, nos jogos entre seleções femininas no ano passado, o público esgotou os ingressos rapidamente e no Brasil, 4 emissoras tiveram permissão para transmissão dos jogos ao vivo. Por causa dessa distinção entre gêneros, na última Copa do Mundo Feminina de Futebol, jogadoras de diversos times se engajaram num ativismo a favor da quebra desses antigos paradigmas, e reivindicaram o reconhecimento do seu trabalho de forma igualitária aos que se envolvem nesse processo.

Dessa forma, percebe-se o quanto Beauvoir estava correta, pois o papel da mulher no futebol e em qualquer outro âmbito que atue, representa a luta contra uma sociedade patriarcal. Contudo, para diminuir a desigualdade de gêneros, os clubes devem promover torneios femininos no período de pausa do campeonato masculino, por meio de ingressos mais baratos, notas na imprensa e descontos em pacotes de publicidade nos estádios. Além disso, a quebra de paradigmas é feita a partir do momento em que se cria uma cultura de equidade entre atletas, e isso se dá com o apoio da mídia, por meio de cobertura dos jogos, do público com a ida aos estádios e, principalmente, dos clubes com o apoio financeiro, reconhecimento do trabalho realizado pelas atletas e incentivo ao esporte com escolinhas.