O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

‘‘Por que nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda..’’. A canção ‘‘Pagu’’ da compositora Rita Lee desconstrói estereótipos relacionados à figura feminina, o que aponta, por certo, a uma tendência contemporânea, cuja primazia é retirar os indivíduos do ‘‘Limbo’’ da ignorância, questionando a cultura preexistente e suas convenções. Contrariando esse posicionamento revolucionário, resquícios de uma sociedade que estigmatiza a mulher e a impede de exercer seu empoderamento em cenários como o futebol ainda persistem, seja pela herança do patriarcado, seja pela ineficiência dos sistemas de contenção à prática da violência e ao machismo exacerbado.

Segundo a perspectiva do crítico literário Antônio Cândido, ‘‘Conhecer, é se permitir ter contato com o novo, o diferente e somado a isso, ter oportunidade para tal’’. Até meados de 1920, mulheres eram colocadas à margem da produção histórica do futebol brasileiro, onde eram retratadas como meras espectadoras, com única aplicabilidade para o embelezamento das arquibancadas. Negligenciando esse fato, surgem as primeiras mulheres que querem ir ao campo - não sem algum assombro - surgem os primeiros repúdios e chacotas, sempre retomando que a aplicabilidade do papel feminino tange apenas ao papel doméstico e educacional. Dessa forma, até 1979 as mulheres eram proibidas por lei de jogar bola, diante a justificativa de que tal esporte comprometia a sua integridade física e incompatível com a natureza feminina.

Dessa forma, a prática do futebol feminino torna-se um espaço legítimo para o exercício do agenciamento e do empoderamento das mulheres. O esporte apresenta-se como um terreno promissor para testar hipóteses sobre as mudanças nas relações e representações de gênero na sociedade contemporânea, dando visibilidade para indagamentos sobre o rumo de uma cultura em constante transição - transição para padrões mais igualitários, mais ‘‘andrógenos’’ - avançando, embora lentamente, para a desconstrução de preceitos ditados pela sociedade patriarcal, e esperança de maior igualdade para a expressividade feminina na contemporaneidade.

Depreende-se, portanto, a relevância da igualdade do acesso ao futebol no Brasil. Para que isso ocorra, é necessário que o Estado e grandes Multinacionais (Nike, Adidas, entre outras…) proporcione um maior financiamento a Copa Mundial Feminina, e coopere junto à difusão da importância da representatividade da mulher no mundo esportivo. Dessa maneira, devem melhorar o salário das atletas femininas e colaborar como forma de esclarecimento populacional, o seu importante papel de proporcionar um ambiente estável, que colabore com o fim do ultrapassado patriarcalismo, e quebre preceitos machistas que atrapalham a ascensão da mulher, não só no futebol, mas em qualquer lugar.