O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

O filme ‘‘Ela é o cara’’ retrata a vida de Viola, uma das melhores jogadoras de futebol do colégio que, não se conforma com a extinção do esporte feminimo em sua escola. Sua única chance de continuar jogando é se disfarçar e assumir o lugar do seu  irmão gêmeo no time masculino. Só assim, é reconhecido o grande talento da garota no futebol. Fora da ficção, é fato que a trama apresentada no filme pode ser relacionada ao hodierno cenário global, visto que o papel da mulher no futebol não tem sido valorizado. Esse cenário nefasto ocorre em virtude da desigualdade de gênero instaurada pela sociedade e promove a desvalorização acerca do papel da mulher.                                                               Em primeira análise, é fundamental destacar que um dos impulsionadores do impasse é a desigualdade de gênero estabelecida por uma parcela da população. De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, todas as pessoas, independentemente do seu gênero, são iguais perante a lei. Portanto, a desigualdade instaurada  fere diretamente os direitos das mulheres jogadoras de futebol. Isso ocorre porque tal lei não se encontra respeitada na conjuntura atual, acarretando problemas como a falta de oportunidade para meninas que sonham em seguir carreira com o futebol e a baixa autoestima relacionada à pratica masculina do esporte.                                                                                    Em segunda análise, vale salientar que a desvalorização relacionada ao papel da mulher no futebol também corrobora tal problemática apresentada. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística), as mulheres recebem 72,3% do salário de um homem que ocupa o mesmo cargo. Com isso, fica claro o descaso em relação ao salário das mulheres que são impedidas de desfrutar uma remuneração justa e igualitária, acarretando situações que reforçam o preconceito como a falta de interesse ora de marcas e patrocinadores, ora da população em relação aos jogos femininos que muitas vezes são rotulados ‘‘inferiores’’ comparados ao masculino.                                                         Destarte, urge a adoção de medidas com o intuito de mudar o cenário atual que não se mostra satisfatório, desde ações do Ministério da Justiça para reforçar leis já existentes e promover campanhas midiáticas por meio televisivo, orientando a população os problemas causados pela desigualdade de gênero e aumentando a frequência dos jogos femininos. Vale também, ações dos times de futebol em parceria com instituições de ensino para promover peneiras femininas nas escolas. Além disso, o Governo deve realizar o reajuste do piso salarial dos jogadores/jogadoras de futebol, com finalidade de estabelecer a justiça e a igualdade entre gêneros. Para assim, assegurar que o direito implantado seja efetuado e garantir que as mulheres, assim como os homens, possam desfrutar de oportunidades e privilégios no mundo do futebol.