O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

O Brasil é conhecido como “o País do futebol”, pois é uma das modalidades esportivas mais praticadas na região. Entretanto, paradoxalmente, o futebol é um “território” ainda, infelizmente, masculino. Isso acontece por causa da sociedade, prodominantemente, machista em relação à prática esportiva pelas mulheres, juntamente à relação distante entre mídia e sociedade das corporações femininas de futebol, a qual dificulta o engajamento delas na modalidade. O papel da mulher nisso é refletido na importância da sua presença para desestruturar a generificação futebolística.

A princípio, acreditava-se, na Idade Média, que as mulheres não deviam praticar nenhum tipo de esporte para não prejudicar seu “ideal” de beleza, delicadeza e capacidade de reprodução. Na contemporâneidade, com o avanço científico, a sociedade pôde ter o conhecimento que isso não é verdade. Todavia, ainda assim as mulheres “escalam” um grande “muro de dificuldades” no que se refere à prática do futebol. Um dos “tijolos” o qual compõe esse “muro” é o, velado, machismo, ainda predominante entre os brasileiros. Nesse sentido, o machismo, dentro do futebol, acompanha definições de gêneros, comportamento e até julgamentos os quais recaem sobre as atletas de futebol, como a masculinização de seus corpos e perda de um “ideal” de feminino o qual foi criado, errôneamente, pela própria sociedade machista. Por isso, a presença da mulher no futebol é imprescindível para desconstruir esse “ideal” do feminino e consolidar a equidade do “território” futebolístico e não para sua generificação exclusa.

Além disso, a consequência dessas ações machistas reflete na mídia. Nesse sentido, majoritária quantidade de publicações sobre futebol são relacionadas à atuação masculina. Diante desse contexto, a existência de poucos torneios femininos e o baixo número de divulgações dificulta a visibilidade cujas atletas deveriam ter, haja vista que elas já provaram, não só para o Brasil como para o mundo, o seu potencial capaz de praticar o futebol como qualquer atleta masculino faz. Com isso, a prova da tênue visibilidade é que, de acordo com o site desportes.com, 70% das pautas futebolísticas do jornal O Globo eram masculinas. Diante disso, a presença da mulher nesse campo é necessária para desestruturação desse cenário excluso.

Portanto, é importante propostas para enfatizar o papel da mulher no futebol. Para isso, o Ministério da Educação deve fazer reunições, nas escolas, de conscientização da capacidade das atletas por meio de vídeos feitos pelas mesmas no relato de sua jornada para produzir um engajamento social de apoio e desconstrução do machismo. Ademais, a CBF deve propror mais oportunidades e criar mais torneios femininos para que as mídias divulguem e cooperem para a visibilidade e igualdade do gênero.