O papel da mulher no futebol

Enviada em 06/05/2020

Criada em 1941 nos Estados Unidos, a personagem de quadrinhos Mulher-Maravilha foi um elemento representativo da incipiente emancipação feminina à época. Para além dos tablados da ficção, as mulheres hodiernas contam com referências reais de emponderamento: a presença do gênero no futebol. Apesar de ser reconhecido como autoridade no esporte em questão, no Brasil observa-se que a valorização do futebol feminino não acompanha sua importância simbólica, o que se deve a fatores como a precariedade de investimentos e à baixa visibilidade.

A princípio, nota-se que a falta de investimentos no futebol de base dificulta o acesso das mulheres ao esporte. Quanto a isso, a história demonstra que a prática era restrita ao público masculino até o final da década de setenta, resultando em uma cultura de incentivo à participação dos homens em detrimento das mulheres. Tal disparidade desemboca, nos dias atuais, na escassez de escolas de base voltadas para meninas, que, por vezes, têm de competir com os garotos pelas vagas nos clubes. Dessa forma, ainda que sejam inspiradas por Marta - seis vezes eleita a melhor jogadora do mundo -, os entraves à participação feminina mostram-se incipientes desde a infância.

Outrossim, a diminuta visibilidade midiática contribui para a problemática à medida que não incentiva a participação do público nas competições futebolísticas femininas. Acerca disso, os dados da Unisinos demostram que menos de 3% da cobertura televisiva dos jogos é direcionada ao futebol protagonizado pelas mulheres. Dessa forma, ao não veicular disputas nacionais e internacionais, as conquistas feitas pela categoria não são popularizadas, contribuindo para construir um público passivo, que não comparece aos estádios para acompanhar as competições.

Depreende-se, portanto, a existência de entraves à participação das mulheres no futebol. Para minimizá-los, as Confederações Estaduais de Futebol devem facilitar a introdução das meninas no esporte. Isso pode ser feito por meio da parceria com clubes locais para criação de mais “escolinhas” voltadas para esse público nas sedes dos clubes. Essa ação deve ser reforçada pelas secretarias municipais da mulher, que, mediante parceria com as secretarias de educação, devem promover a criação de torneios e campeonatos interescolares anuais direcionados à elas. Por fim, cabe à mídia popularizar o esporte a partir da transmissão dos campeonatos estaduais na televisão aberta, pelo menos uma vez por semana - a exemplo do que acontece com o masculino. Espera-se, assim, que o papel emponderador do futebol feminino seja tão representativo quanto foi o da Mulher-Maravilha no passado.