O papel da mulher no futebol
Enviada em 08/05/2020
A desigualdade entre gêneros é uma problemática histórica ainda muito evidente no mundo contemporâneo. Sendo o esporte uma das práticas sociais que refletem os padrões de comportamento e os valores de uma sociedade, é notável que essa diferença está refletida nesse plano, como fruto do machismo. Por isso, mesmo que a participação feminina no futebol tenha aumentado nas últimas décadas, fica claro que ainda não é dado o devido incentivo à inclusão da mulher nesse meio.
Em primeiro lugar, é preciso ressaltar a forte carga cultural e histórica relacionada a esse comportamento. O afastamento feminino da prática esportiva do futebol é dado sob inúmeros discursos. Dentre eles, ressalta-se, como na Grécia Antiga, o fato de a mulher ser considerada “sexo frágil”, enquanto o esporte seria para os fortes. Além disso, desde a infância, a menina é criada para realizar as atividades domésticas e, futuramente, cuidar dos filhos, de acordo com a mentalidade retrógrada e conservadora perdurada ainda na sociedade atual. Tal fato mostra que a falta de incentivo às práticas do esporte começa desde cedo, já que requer tempo integral de dedicação. Até mesmo os professores de Educação Física, na escola, em sua maioria homens, frequentemente, excluem as meninas de algumas atividades.
Ademais, é fundamental destacar a falta de patrocínio, principalmente por parte do governo. Dentre os principais nomes associados ao esporte, os maiores salários são pagos aos atletas masculinos. É imprescindível, também, apontar o papel negativo que a mídia desempenha nesse cenário de exclusão. É indiscutível a visibilidade que o esporte tem na sociedade contemporânea. Entretanto, quando se trata da participação feminina, essa visibilidade é muito desproporcional. O mais estarrecedor é o futebol, que vai além de uma mera modalidade esportiva, sendo parte da identidade do país. O lado masculino é explorado, desde os campeonatos regionais até os mundiais, por todos os veículos de comunicação. No entanto, mal sabemos quando a seleção brasileira feminina está jogando.
Portanto, que a marginalização da mulher nas práticas esportivas é um aspecto machista enraizado historicamente. A fim de se obter avanços nesse cenário, deve-se promover, com auxílio do Ministério da Educação por meio de campanhas práticas nas escolas, atividades que integrem ambos os sexos, a fim de desconstruir a ideia de que o esporte é só para homens. O Ministério da Cidadania, por sua vez, deve investir mais nas atletas, conferindo-lhes a possibilidade de seguir a carreira, oferendo apoio patrocinado como auxílio esportivo para melhorar seus desenvolvimento e apresentar melhores oportunidades midiáticas para visibilidade em geral.