O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

Durante a Era Vargas, as mulheres foram proibidas por lei de jogarem futebol, na justificativa de que essa prática era incompatível com as condições biológicas femininas. Embora essa lei tenha sido revogada em 1979, os reflexos da sociedade patriarcal que a criou continuam presentes, e causam prejuízos ao futebol feminino até os dias atuais. Tudo isso se evidencia pela falta de investimentos e pelo preconceito sofrido pelas mulheres nesse cenário.

A princípio, faz-se importante destacar que o futebol feminino carece de investimentos, seja de patrocinadores ou do Estado, dificultando a igualdade do acesso e equiparação financeira com o futebol masculino. Nesse sentido, cabe lembrar que, de acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado incentivar o lazer como forma de promoção social. Além disso, no caso das mulheres, a prática desse esporte ultrapassa a dimensão do lazer, tornando-se símbolo da luta por reconhecimento e efetivação de direitos. Por isso, é essencial que sejam garantidas condições de permanência das mulheres nesse cenário, bem como o incentivo às novas gerações para garantir a emancipação social desse grupo.

Ademais, é válido ressaltar que o preconceito enfrentado por mulheres no futebol torna-se um elemento que dificulta sua permanência nesse ambiente. Isso acontece porque, por muito tempo, o futebol foi visto como esporte de homem. Consoante a isso, Judith Butler, filósofa e feminista, lembra que nas questões de gênero não é a biologia, mas sim a cultura que se torna o destino. Com isso, a cultura, por meio da decodificação dos corpos, ditará as regras do que é mais adequado para homens e mulheres. Nessa perspectiva, a inserção feminina no ambiente futebolístico enfrenta vários preconceitos, como o de a qualidade técnica é menor, ou que seu corpo é mais frágil para enfrentar uma maratona de jogos, comprovando a manutenção dos estigmas.

Infere-se, portanto, que o papel da mulher no futebol ainda é permeado de preconceitos que precisam ser combatidos. Para isso, é essencial que o Governo, por meio das secretarias de cultura, junto com o Ministério da Educação, incentivem as jovens meninas a prática de exercícios, estimulando as aulas de educação física e disponibilizando profissionais formados nessa área para programas sociais nas comunidades. Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol deve estimular os campeonatos femininos e incentivar a equiparação salarial com os jogadores homens. Assim, será possível garantir a permanência feminina no futebol, para que continuem lutando por reconhecimento e emancipação.