O papel da mulher no futebol
Enviada em 01/05/2020
A obra “Memorial de Maria Moura”,a qual foi composta por Rachel de Queiroz em um período marcado pelo Modernismo e pelo regionalismo,transpassa um cenário de empoderamento feminino por parte da personagem principal,que, após sofrer abusos físicos e psíquicos, passa a conviver com um bando de cangaceiros e a liderá-los. Apesar do lapso literário e temporal, pode-se perceber que a influencia feminina nos espaços predominantemente masculinos,como no contexto do futebol contemporâneo ,por questões histórias, ainda é marcada por muitas lutas e preconceitos. Sob esse viés, é fundamental analisar o papel da mulher no futebol em questões de representatividade e de equidade social.
De início, é necessário perceber que a importância feminina no mundo do futebol vai além da esfera esportiva, adentrando um universo de representatividade e de empoderamento simbólico. De acordo com filosofa brasileira Márcia Tiburi, existe um mecanismo de poder que ela conceitua como " Regime do conhecimento", o qual consiste na dominação do pensamento através de processos que invisibilizam o outro. Diante disso,pode-se perceber que a pouca visibilidade dada a mulher nos espaços conhecidos historicamente como masculinos, tal qual no futebol, gera preconceitos no que se refere à capacidade da mulher de exercer de maneira qualitativa seu papel em campo ou em qualquer outra esfera social que ela quiser, sendo a representatividade primordial para o empoderamento.
Compreende-se,ainda, que o papel da mulher no futebol transcende o âmbito da expressão ideológica de poder feminino, sendo fundamental também para a equidade social prática. Sob a ótica do pensador Franz Fanon, a luta não é de ideias apenas,mas relativa à realidade pragmática. A partir disso, nota-se que a participação feminina no futebol reflete a luta social de todas as mulheres, que buscam salários, respeito, espaço equivalentes aos dos homens, o que ainda está muito distante de acontecer no mundo do futebol,por falta de investimentos nas categorias femininas,devido a esteriótipos .Uma evidência dessa realidade de desigualdade de gênero é que de acordo com o Fórum Econômico Mundial,as mulheres ganham em média 32% menos que os homens para desempenhar a mesma função.
Logo pode-se inferir que o papel da mulher no futebol relaciona-se à representatividade e à equidade.Diante disso, urge que os senadores e deputados, pelo sua função legislativa, em parceria com os clubes de futebol brasileiros, criem leis de cota de gênero que determinem a porcentagem mínima de investimento no futebol feminino, em troca de incentivos de descontos fiscais para os clubes. Isso deve ocorrer com a finalidade de proporcionar mais visibilidade e equidade para o futebol feminino e, consequentemente, empoderar as Marias Moura hodiernas, afinal nem o cangaço e nem qualquer outro lugar é exclusivamente masculino.