O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

“Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?”. O recorte da canção da banda Skank mostra a paixão de um torcedor ao falar sobre uma partida de futebol. Entretanto, a música só faz referência aos jogadores homens e seus papeis, não há menção de mulheres. Esse contexto cultural reforça a ideia de que mulher não possui uma participação considerável no futebol e isso é um fator de relevância para desestimular essa carreira entre esse grupo. Sob essa perspectiva, é válido analisar por qual motivo o papel ocupado pela mulher no futebol ainda é pequeno e como isso reflete na sociedade atualmente.

De início, é importante destacar que a escassa participação das mulheres no futebol tem influência direta com o atraso em relação à modalidade masculina. Isso porque a ausência de políticas que visem reconhecer a modalidade feminina de futebol ocorreu de forma tardia, esse cenário foi fator fundamental para naturalizar a ideia de que futebol é esporte para homem praticar. Prova disso é que, segundo dados da Confederação Brasileira de Futebol, a primeira seleção masculina foi criada em 1914, enquanto que a feminina só foi reconhecida em 1988, 70 anos depois.

É importante destacar, ainda, que apesar do futebol feminino ter conseguido um reconhecimento relativamente maior, a modalidade esportiva enfrenta obstáculos. Isso pode ser explicado pelo preconceito enraizado na sociedade de que futebol é um esporte violento, não combina com as mulheres e não merece visibilidade. Tal fato ocorre, pois, tomando como sabe o pensamento da escritora Márcia Tiburi, a partir do qual explica que o indivíduo preconceituoso não quer gastar seu pensamento, por isso pratica a “economia psíquica”, gerando um pensamento ignorante com ausência de informação e conhecimento. Esse preconceito enraizado reverbera na discrepância entre os investimentos nos times masculinos e femininos, exemplo disso é que um levantamento feito pela Unisinos mostrou que apenas 2,7% da cobertura midiática é destinado ao futebol feminino.

Logo, para mudar esse cenário, é necessário que o Ministério da Cidadania (fusão do Ministério do Esporte, Cultura e Desenvolvimento Social) atue na promoção de mais investimento ao futebol feminino para promover o aumento da parcela participativa das mulheres nessa modalidade. Isso será feito através da criação do “Bolsa atleta”, uma bolsa que tem a finalidade de arcar com os custos que o futebol feminino exige para as jogadoras iniciantes, sendo também uma forma de manter as jogadoras nessa carreira. Tudo isso com o objetivo de proporcionar condições mais igualitárias ao futebol feminino, afastando obstáculos ao prosseguimento das mulheres nessa carreira. Assim, mais garotas poderão cantar que tiveram seus sonhos de serem jogadoras de futebol realizados.