O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
A Universidade de Tóquio, uma das faculdades mais conceituadas de medicina do Japão, admitiu ter manipulado notas para garantir prevalência de homens na instituição. A justificativa: para eles, elas desistiriam do curso para cuidar dos filhos. Análogo a esse caso, o papel de muitas mulheres são vistos como inferiores devido ao gênero, como no futebol. Esse tipo de tratamento se deve, principalmente, à cultura machista enraizada, o que reverbera em preconceito por parte da mídia.
Em uma primeira observação, é possível perceber que a mentalidade patriarcal remonta desde o período Imperial. No que concerne a esse tempo histórico, a maioria das mulheres passava grande parte do tempo em casa cuidando dos filhos e o marido ia trabalhar para bancar a família. Essas esposas acabam - com a ajuda do movimento Romancista, na época em ascensão- sendo idealizadas como frágeis e que precisam de proteção. Hoje, o estilo de vida pode ter decaído, mas a mentalidade da “mulher frágil” continua, o que leva muitas pessoas a não apreciarem o futebol feminino, pois é algo que contraria esse pensamento.
É possível perceber, também, a reverberação do machismo histórico no pensamento midiático quanto ao esporte feminino. Como a concepção de fragilidade da mulher ainda persiste, as mídias evitam fazer cobertura das partidas, o que diminui a audiência e, consequentemente, o patrocínio dessa modalidade em comparação com o masculino. No julgamento popular, o futebol feminino não possui interesse do público, por isso a falta de cobertura. Entretanto, de acordo com pesquisa do Ibope Repucom, 51% dos entrevistados gostariam de maior acesso à modalidade. Isso prova que a falta de audiência se deve à escassez de alcance na mídia pela mentalidade machista, e não pela vontade da maioria do público.
Portanto, o papel da mulher no futebol é limitado pelo pensamento patriarcal e esse precisa ser combatido. Para isso, é fundamental que o Ministério da Educação combata a intolerância ao esporte feminino através das instituições educacionais. Nesse intuito, será necessário o incentivo à prática das modalidades futebol e futsal pelas mulheres - do ensino fundamental e médio - nas aulas de Educação Física, além de estimular a adesão de campeonatos interclasse femininos nessas respectivas etapas da educação básica. A partir disso, a ideia de fragilidade da mulher e a intolerância ao esporte serão combatidas e as mídias passarão a fazer maior cobertura e investimento nessas modalidades, o que garantirá que o papel da mulher esteja onde ela quiser, seja como médica, seja como atleta.