O papel da mulher no futebol

Enviada em 02/05/2020

Com o advento da Copa do Mundo de 2018, as mulheres iranianas garantiram, pela primeira vez, o direito de acesso aos estádios de futebol. Contudo, a inclusão feminina nos campos não foi suficiente para deter o pensamento machista que acompanhou o esporte por tantos séculos. Esse contexto é fruto, infelizmente, de desigualdade e preconceito social. Diante disso, torna-se indispensável a discussão acerca desses aspectos, a fim de resolver essa inercial problemática.

“Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho”, garante o artigo 23 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Por analogia, a meia-atacante brasileira Marta da Silva jogou o mundial feminino com uma chuteira sem patrocínio, simbolizando um ato em prol da igualdade, já que continuamente recebia pagamentos abaixo do ofertado a seleções masculinas. Logo, é notório, que a questão do papel da mulher no esporte é um desafio, uma vez que faltam fiscalizações e leis que punam exemplarmente esses tipos de empresa.

Outrossim, vale salientar que o entrave é corroborado pelo preconceito social. Segundo o escritor inglês William Hazlitt, " O preconceito é filho da ignorância". Tal assertiva aliada à falta de informação, acentua a manutenção de um sistema excludente que mostra-se atual. Nesse perspectiva, as consequências estão relacionadas a propagação de um discurso de ódio, retrógrado, baseado na subordinação do gênero. Nesse sentido, é fundamental uma reforma nas atitudes da sociedade civil, para que oportunidades justas, proporcionadas para todos, deixe de ser uma utopia.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Torna-se imprescindível que o governo, em parceria com o Ministério da Cidadania, crie campanhas de valorização ao futebol feminino, divulgadas pela mídia através de palestras, entrevistas e debates entre os profissionais. Além de reformular leis realmente efetivas e que punam exemplarmente empresas que utilizem a desigualdade de gênero como justificativa para diminuição salarial. O intuito de tal medida é de sensibilizar e informar a população acerca da real importância dessa problemática. Afinal, como prega a filósofa Simone de Beauvoir “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”.