O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

Em 1921, as mulheres conquistaram espaço para que ocorresse, pela primeira vez, uma partida de futebol feminino no Brasil, o que outrora era impensável devido aos padrões de feminilidade socialmente estabelecidos. Contudo, apesar da presença da mulher no mundo esportivo ser algo comum atualmente, elas ainda são vítimas de preconceito, o que se reflete em diversos aspectos, como na desigualdade de salários e  incentivo.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o preconceito sofrido pelas mulheres no futebol expressa um problema bem mais amplo e incrustado na mentalidade e na cultura da sociedade como um todo: o machismo. A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi afirma que “o problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos”. Dessa forma, a presença feminina em um esporte muitas vezes tido como estritamente masculino possui uma importância simbólica, uma vez que representa a luta de todas mulheres para serem reconhecidas como de fato são, nesse caso praticando o esporte do qual gostam independentemente dos padrões impostos, conquistando, assim, espaços que antes lhe eram negados.

Por conseguinte, esse traço cultural ultrapassado determina a falta de visibilidade, popularidade e incentivo ao futebol feminino, o que gera uma discrepante desigualdade salarial entre os jogadores e as jogadoras de futebol, a qual geralmente não reflete a qualidade do profissional. O maior exemplo disso é que a jogadora brasileira Marta, marcadora de mais de 100 gols pela seleção e considerada seis vezes a melhor do mundo pela fifa, recebe um salário médio anual de 400 mil dólares, enquanto Neymar, que marcou ao todo 50 gols pela seleção, possui um salário médio anual de 14,5 milhões de dólares, de acordo com a revista Forbes.

Por isso, é necessário que os jogos e profissionais do futebol feminino sejam mais valorizados e recebam maior visibilidade. Sob tal ótica, o Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, deveria conscientizar a população e incentivá-la a prestigiar o futebol feminino por meio de campanhas midiáticas em forma de vídeos, que mostrariam alguns dos melhores momentos das partidas de futebol feminino, provando que a qualidade, diferentemente do reconhecimento, se iguala ao masculino, e contariam também com depoimentos curtos das profissionais desse ramo sobre os desafios e preconceitos enfrentados. Dessa forma, haveria um maior público nos jogos de futebol feminino e, consequentemente, mais patrocinadores, o que já seria um caminho para a igualdade salarial.