O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

O futebol é um dos esportes mais praticado no mundo, sendo o Brasil um dos seus polos. Ele, ao longo dos séculos, foi usado como uma manifestação em prol da paz, da harmonia e do respeito, por exemplo, a famosa Copa do Mundo de 2014. Hodiernamente, essa atividade esportiva é uma das expressões humanas mais lucrativas e machistas no nosso país. Diante de tamanho contraste catastrófico, fica claro que o importante papel da mulher nessa atividade cultural é negligenciado, esquecido e desprezado por considerável parcela da população tupiniquim. Tal imbróglio ora diminui a abrangência dos benefícios socioeconômicos da participação feminina na área futebolística, ora potencializa atitudes machistas, arcaicas e patriarcais na civilização atual.

A priori, é preciso compreender os aspectos positivos que a presença do sexo feminino no futebol proporciona na economia brasileira. O mais evidente de tamanho fator é a possibilidade de ascensão econômica. Um exemplo disso é a brasileira Marta, considerada, várias vezes, pela FIFA, como a melhor jogadora do mundo. Ela nasceu em um berço de família humilde e, graças ao futebol, conseguiu ter uma vida digna. Esse relato de mudança é tanto maravilhoso quanto raro, pois, mesmo o Brasil sendo considerado o “país do futebol”, o número de escolinhas femininas patrocinadas pelo Estado nas regiões, especialmente, carentes, como as favelas, é lamentável. A realidade citada acima é absurda, irresponsável e, até, paradoxal, visto que fere o direito ao lazer e ao esporte defendidos tanto na Declaração Universal dos Direitos Humanos quanto na Constituição Cidadã.

A posteriori, a presença da mulher na arte futebolística também favorece a visibilidade de novos paradigmas e a diminuição de preconceitos de gênero. Para entender ao que foi exposto acima, é preciso utilizar-se do conceito de “Banalidade do Mal”, de “Hannah Arendt”. Segundo ele, padrões de comportamentos maléficos, como as atitudes machistas e misóginas, com o tempo e a repetição constantes, tornam-se comuns, aceitos e praticados na sociedade Com isso em mente, fica evidente tanto que ditados populares, como “Jogar bola é coisa de menino”, são a materialização da teoria de “Arendt” quanto que a imagem feminina no futebol é um forte símbolo de resistência para essa concepção ultrapassada, pois é a persona da mulher nesse palco esportivo que incentiva o questionamento e o futuro abandono da visão arcaica.

Destarte, urge que a Secretaria do Esporte incentive a prática do futebol feminino mediante a criação de novas escolinhas futebolísticas e o patrocínio das atuais, principalmente, em regiões carentes com a finalidade cabal de possibilitar uma ascensão social. Ademais, é mister que a mídia aumente a visibilidade feminina por meio da divulgação dos jogos com o escopo de diminuir o preconceito.