O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
Na última edição da Copa do Mundo de futebol feminino,realizada na França, a capitã da seleção brasileira, Marta, entrou em campo com chuteiras pretas e com o símbolo de igualdade desenhado nelas.A partir disso,nota-se que,na modernidade,apesar dos avanços femininos nos âmbitos sociais e futebolísticos,entraves como a diferença salarial entre os gêneros e a desvalorização da mulher,exposto pela jogadora ao usar chuteiras que não tinham patrocínio de empresas,ainda estão presentes na realidade mundial.Sendo assim,é importante ponderar a relevância feminina na luta por direitos e a figura midiática na preservação da exclusão.
De início,é essencial entender que o fator inquietador da mulher nos séculos anteriores foi necessário para a conquista de direitos,ou seja,buscar espaço no futebol ,de maneira justa e igual,é uma grandiosa ação feminina à humanidade tanto presente quanto futura.Isso ocorre porque,segundo uma óptica iluminista do filósofo Immanuel Kant,a ação moralmente correta é aquela pautada no bem comum,na qual,influenciada pelo imperativo categórico,amplia o dever moral de respeitar a liberdade e igualdade social.Em razão disso,reflete-se que a figura feminina,ao brigar por mais respeito e valorização nos campos de futebol,interfere não só na desigualdade entre homens e mulheres no mundo dos esportes,mas também na concepção social para lutar,nos pilares da sociedade,pelo respeito à mulher.
Observa-se,também,que a mídia e,consequentemente,o meio social,associados ao pensamento machista,participam do processo de exclusão da mulher e sua dificuldade de sobreviver no futebol.Tal fato ocorre porque,de acordo com o livro “O Quarto Poder” do jornalista Paulo Amorim,a mídia exerce forças nos indivíduos que modificam a maneira de agir e pensar deles nos espaços físicos e tecnológicos.Em função disso,infere-se que a imensa cobertura dada ao futebol masculino,conduzida por interesses capitalistas para visar o lucro,junto a pequena exibição feminina,restrita somente a campeonatos mundiais,centralizam ,de maneira efetiva,o olhar do telespectador para o mais exposto e colabora com a visão de “estranhismo” para aquele que não é facilmente assistido.
É necessário,portanto,que os olhares estejam mais atentos para tal realidade social.Por isso,o Estado, em parceria com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF),por serem órgãos administrativos, precisam promover ações em todo o território nacional,por intermédio de investimentos nas empresas de televisão e patrocinadores para a criação e regulamentação de um campeonato nacional feminino de ampla divulgação.Essa ação deve ser feita,associado as confederações estaduais de futebol,com o fito de combater a desigualdade de gênero e a diminuição da figura desvalorizada no âmbito futebolístico. Só assim, as reivindicações feitas por Marta serão respeitadas e , paulatinamente, resolvidas.