O papel da mulher no futebol

Enviada em 23/04/2020

A Constituição Brasileira de 1988 preconiza em seu artigo 5º que “uma pessoa não poderá sofrer qualquer tipo de distinção em razão de sua raça, gênero, etnia e religião”. Entretanto, nos dias de hoje, não é raro se enxergar na sociedade brasileira, muitas vezes implicitamente, vários tipos de preconceitos, sendo que um dos mais presentes é o chamado machismo estrutural. Essa forma de preconceito, que se baseia em uma sociedade patriarcal nos moldes da era colonial, de modo que o homem detinha o poder perante a família, e se estende em várias áreas da sociedade, inclusive no futebol.

Em uma análise inicial, uma das causas para a existência de machismo no futebol é a fragilidade física atribuída às mulheres. Dessa maneira, a atleta é subjugada, mesmo sem bases estatísticas para isso. Em um estudo realizado pela IAAF (Federação Internacional de Atletismo), a capacidade física de uma mulher profissional em um esporte está acima de um homem que compete semiprofissionalmente. Desse modo, não há diferença física plausível para explicar a diferença de interesse entre os esportes masculinos e femininos.

Ademais, a soberania do homem no futebol é uma forma de reafirmar a hegemonia masculina na sociedade. A filósofa Marilena Chauí, professora emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, publicou em um de seus livros que “o machismo na sociedade atual se dá de uma forma disfarçada, através de símbolos e alegorias presentes nas mais diversas camadas”. Desse jeito, pode-se enxergar várias situações que levam a sociedade a crer na ideia de que o homem é superior à mulher, desde em filmes nos quais o mocinho herói salva a mulher indefesa, até mesmo na religião, pois em sua maioria os profetas são homens.

Portanto, fica evidente a presença do machismo no futebol nos dias de hoje. Para reduzir as diferenças entre os homens e as mulheres neste esporte, o Governo deverá incentivar a veiculação de competições de futebol feminino nas grandes mídias de comunicação. Assim, aumentará o seu interesse por parte da sociedade, além de aumentar a participação das mulheres no meio futebolístico. Outrossim, a veiculação da última Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019 por uma grande rede de telecomunicação brasileira teve uma audiência duas vezes superior em relação à sua penúltima ocasião, conforme noticiado pelo Ibope. Isso mostra que com o investimento correto poderá se reduzir o preconceito com as mulheres no futebol, e, quiçá, diminuir as desigualdades de gênero tão presentes na sociedade.