O papel da mulher no futebol
Enviada em 25/04/2020
O filme americano Ela é o cara, retrata as dificuldades que as mulheres enfrentam no esporte. Na obra, um time feminino de futebol é suspenso por falta de candidatas suficientes. No entanto, as meninas interessadas pedem que as incluam na equipe masculina para não serem prejudicadas, o técnico se recusa com o pretexto de mulheres não serem tão atléticas quanto os homens. Fora da ficção, é fato que os problemas existente no longa metragem pode ser relacionado ao mundo esportista atual. Apesar da gradativa conquista feminina no futebol, o baixo incentivo e a falta de investimento emergem como empecilhos para o sucesso das mulheres na área futebolística.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, garotas são constantemente desencorajadas a ingressarem no futebol, com fundamento de que não são fortes o suficiente para aguentar tal prática. Em resumo, no ano de 1941, um decreto foi criado proibindo as mulheres de exercitar desportos incompatíveis com sua natureza, pois segundo os médicos, a prática era prejudicial aos órgãos reprodutores, visto que, há um certo contato físico durante o jogo. Como consequência, décadas depois, ainda há uma crença cultural que associa o futebol ao universo masculino. De acordo com uma matéria publicada pelo sítio O Globo em 2018, 65% das mulheres que queriam ser jogadoras desistiram devido o baixo incentivo de seus pais e até mesmo professores por considerarem a prática incompatível com o sexo feminino.
Além disso, vale ressaltar que a desvalorização das mulheres no futebol é fruto do baixo investimento na modalidade. Conforme o jornal Extra, somente 1% do orçamento dos clubes vai para as equipes femininas, por conseguinte, as garotas desistem da carreira por falta de estrutura. Ademais, a falta de transmissão dos campeonatos nas emissoras corrobora para invisibilidade e consequente desinteresse da população e patrocinadores pelos jogos. Segundo o Centro de Esporte e Lazer - Unisinos, uma pesquisa realizada no ano de 2019 apontou que apenas 2,7% da cobertura midiática brasileira é destinada ao futebol feminino. Nesse sentindo, os investidores centram seus recursos nas equipes masculinas.
Portanto, visando garantir às mulheres oportunidades igualitárias, urge que o Ministério da Cidadania promova, por meio de verbas governamentais, palestras educativas nas escolas abrangendo pais, alunos e professores para que desmistifique a ideia que futebol é para homens. Em paralelo, contribuir para que os campeonatos sejam transmitidos em rede televisiva aberta, tendo como objetivo atingir grande público e consequentemente, investidores. Somente assim, será possível amenizar os obstáculos e as mulheres não serem prejudicadas assim como no filme: Ela é o cara.