O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
No final do século 19, com o desenvolvimento das sociedades urbanas, faz-se necessário a criação de novas formas de entertenimento nas cidades, surgindo então esportes como tênis, vôlei e o futebol. A partir daí, o inglês Charles Miller (exportador do futebol para o Brasil) define o futebol como “um esporte de cavalheiros para cavalheiros”, deixando implícito que o público alvo desse esporte não incluía as mulheres. Apesar do lapso temporal, ainda se observa grande resistência na sociedade acerca das ligas esportivas femininas, questionando seu envolvimento nos “esportes de cavalheiros” e ao machismo e preconceito que permeia o papel da mulher no futebol.
A priori, é válido salientar que, de acordo com a revista Veja, “[…] enquanto jogadores como Messi e Cristiano Ronaldo recebem salários milionários, as melhores jogadoras do futebol feminino tem sorte de estarem empregadas”. Tal citação se fundamenta na relevância social do futebol feminino, que por se tratar de uma categoria nova, acumula preconceitos vinculados à mulher e ao seu corpo, tratando então o futebol feminino como “delicadeza” e “vaidade dispensável”. Pode ser vista tal situação através da futebolista Marta Vieira Silva(consagrada melhor do mundo 6 vezes), que em vários momentos da carreira afirmava que “apenas o amor pelo futebol me fez continuar jogando”, confirmando que o retorno social e econômico vistos em seus equivalentes masculinos não pode ser obtido nas ligas femininas atuais.
Além disso, verifica-se ainda o impacto negativo causado pelas ideologias intolerantes e preconceituosas vistas na sociedade na criação de um conceito onde o futebol é um esporte exclusivamente masculino. Nessa perspectiva, a ideologia de sororidade (defendida por pensadoras como Frida Kahlo e Simone de Beauvoir) releva a importância da união das mulheres por uma causa, nesta pauta, creditando às mulheres o papel de desconstruir o preconceito machista no âmbito do futebol, e assim, progressivamente atribuindo maiores retornos socioeconômicos às ligas femininas e atraindo cada vez mais mulheres à categoria.
A partir disso, fica evidente a necessidade de popularizar as mulheres dessa profissão, cabendo ao estado, como garantidor dos direitos e do bem estar social, por meio de ministérios e secretarias vinculados à causa, como os ministérios de direitos humanos e de publicidade, proporcionar maior visibilidade social às ligas futebolísticas femininas, utilizando veículos de comunicação populares como principal influenciador da categoria, visando assim o combate generalizado ao preconceito machista às mulheres nos esportes e garantindo maior retorno e gratificação às profissionais já atuantes no futebol, criando assim “novas Martas e Messis” em igual proporção e igualmente populares.