O papel da mulher no futebol
Enviada em 08/05/2020
“A insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação.” Essa frase do escritor Oscar Wilde pode ser facilmente associada à realidade brasileira em relação ao papel da mulher no futebol. Isso se dá devido não só à negligência do Estado em permitir a desigualdade salarial entre homens e mulheres no esporte, mas também à apatia por parte da população diante da desvalorização do esforço feminino, uma vez que ainda é considerado o sexo frágil. Nesse prisma, cabe analisar os aspectos que envolvem essa questão
Primeiramente, nota-se que o Estado tem sido negligente ao permitir a desigualdade entre mulheres e homens no âmbito do esporte. Isso se dá porque há um déficit no processo de investimento financeiro para divulgação e patrocínio às competições femininas, uma vez que a Copa do Mundo de Futebol Feminino em 2015 esteve desconhecida por boa parte da população. Há uma falta muito grande de apoio e estímulo às mulheres, percebido até na diferença de salário delas comparado aos dos jogadores masculinos. Rompe-se assim o contrato social teorizado pelo filósofo Thomas Hobbes, já que o Poder Público não tem assegurado o direito pleno e bem estar de todos.
É fundamental pontuar, de início, que desde o nascimento há uma distinção na educação direcionada às mulheres. A criação desigual, fruto do machismo, já prepara as meninas para as atividades domésticas e para o futuro cuidado com os filhos. Já aos meninos é ensinado que ele precisa exercer atividades que demonstrem sua força e poder. Essa distinção educacional pode ser observada desde a Grécia Antiga, em que as mulheres não eram consideradas cidadãs e aos homens cabia toda a demonstração de força, por meio dos esportes. Dessa forma, ainda hoje é um tabu pouco discutido as mulheres exercerem atividades histórica e culturalmente “para homens”.
Torna-se evidente, portanto, que, para a inclusão da mulher no esporte ser efetiva, é necessário o rompimento de barreiras sociais. É dever do Ministério dos Esportes aumentar os investimentos na área feminina e criar campanhas publicitárias para acabar com o tabu. Ademais, cabe às emissoras de televisão veicular mais informações sobre a mulher no esporte e valorizar as conquistas alcançadas por elas. Por fim, cabe às escolas discutir o assunto com os alunos por meio de palestras e oficinas e estimular, valorizar e apoiar a prática de esporte pelas meninas. Somente assim será possível alcançar o progresso escrito por Oscar Willde.