O papel da mulher no futebol

Enviada em 12/05/2020

Embora tenha se popularizado graças à campanha na Copa de 1938, o futebol foi incorporado como paixão nacional partir de 1895, no períodos iniciais da República. Desde então, mais do que um elo em comum para as massas, o esporte ajudou a quebrar barreiras sociais e raciais para além das arquibancadas e campos, como explicado pelo sociólogo Gilberto Freyre, no livro “O Negro no Futebol Brasileiro”. Todavia, a igualdade dentro da própria modalidade não é totalmente abrangente, sendo que persiste até hoje uma severa discrepância entre o reconhecimento concedido aos jogadores e às jogadoras do país.

Inicialmente, cabe apontar que, em maio de 2019, ocorreram, concomitantemente, as seleções para a Copa do Mundo feminina e a Copa América masculina. Contudo, apesar da relevância do campeonato mundial, segundo um levantamento feito pela plataforma de inteligência artificial Stilingue, foram feitas apenas 1.340 publicações e interações sobre o evento, enquanto as mesmas referentes à Copa masculina chegaram a 14 mil. Sob essa perspectiva, evidencia-se a grande diferença de repercussão e de visibilidade entre as modalidades, decorrente da herança histórica de uma cultura machista e patriarcal. Entende-se, portanto, que, à medida em que o público rejeita a prática e o envolvimento das mulheres com o esporte, revelam-se a cultura e hábitos retrógradas da sociedade.

Além disso, é preciso perceber a influência midiática sobre a questão supracitada. Isso porque, em consonância com Giovani De Lorenzi Pires, doutor em Ciências do Esporte, grande parte das noções de saberes e fazeres sociais que os indivíduos desenvolvem é proporcionada através dos meios de comunicação, principalmente da TV. Sendo assim, é essencial que sejam divulgados os jogos e campeonatos tanto da seleção masculina, quanto da feminina, sem distinção entre gêneros. Desse modo, será possível promover a ruptura de mentalidade da população ainda resistente à participação das mulheres no esporte e garantir o devido merecimento às jogadoras.

Portanto, entende-se a premência de medidas que transponham as barreiras de visibilidade do futebol feminino. Assim, é necessário que o Estado atue na garantia da equidade de direitos dos profissionais, com uma regulamentação que defina o mesmo piso salarial para ambos os gêneros, a fim de que sejam igualmente valorizados os homens e as mulheres dentro do âmbito esportista. Somado a isso, é preciso que a mídia contribua para a valorização do papel da mulher no futebol, por meio da transmissão da mesma quantidade de jogos femininos e masculinos nos canais televisivos, para que o público se envolva com ambas as categorias futebolísticas. Dessa forma, será possível garantir a igualdade entre os gêneros no futebol.