O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

A desigualdade de gêneros é um problema enfrentado ao redor de todo o mundo, em diversas facetas da sociedade. Uma delas, indubitavelmente, é a esportiva. No Brasil, por mais que o jogador Neymar realize menos da metade da quantidade de gols pela seleção que Marta Vieira, seu salário anual é quase 40 vezes maior que o dela. É necessário que as meninas e mulheres ocupem um espaço cada vez maior no futebol e nos esportes em geral para que essa disparidade seja questionada.

O primeiro empecilho no desenvolvimento desse aspecto na vida das mulheres é exterior. O ambiente dos desportos é hostil e duro para as pessoas desse gênero, permeado de comentários ofensivos e que deixam claro o quanto as jogadoras são subestimadas. Essa realidade é muito bem retratada na trilogia escrita por Nora Sakavic, “All For The Game” (“Tudo Pelo Jogo”, em uma tradução livre). A autora cria uma modalidade esportiva fictícia chamada Exy, que mescla regras do lacrosse e do rugby e permite times mistos, ou seja, com jogadores de mais um gênero. Uma das personagens principais do livro se torna capitã do time, mas sua ascensão é muito mal vista e sua trajetória é extremamente conturbada por colegas e superiores machistas. O mundo real não é muito diferente, como relata a árbitra e jornalista esportiva Ana Paula Oliveira, que enfrentou muita desconfiança em suas profissões e precisou conquistar o respeito das pessoas com quem trabalhava.

Além dos fatores exteriores e explícitos, há também situações muito mais estruturais, veladas e relacionadas à criação pessoal da mulher que influenciam em seu engajamento com os esportes. O papel de gênero atribuído às meninas não envolve jogar futebol, muito pelo contrário. Silvana Goellner, pesquisadora do Centro de Memória do Esporte da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em entrevista ao Universa, afirma que os esportes são um aprendizado de vida inteira. Segundo ela, não se pode esperar a mesma desenvoltura esportiva entre homens e mulheres, uma vez que estas últimas são afastadas do mundo das atividades físicas logo cedo. É por esta razão que se faz essencial introduzir as meninas às práticas desportivas: quanto mais espaço for ocupado pelas pessoas desse gênero entre o futebol, mais mulheres se identificarão e se envolverão, tornando mais justas as condições de trabalho e oferecendo mais oportunidades às garotas.

Dessa maneira, conclui-se que o estímulo para que as meninas participem de mais desportos é crucial. Os diretores de colégios e reitores de faculdades devem criar mais programas de inclusão para mulheres, investindo seu capital em melhorias para as quadras e criando times femininos de futebol. Isso precisa ser feito desde cedo, nas escolas primárias, para que garotas de todas as idades tenham acesso a tais atividades e, futuramente, ocupem espaço e desempenhem grandes papeis nesse meio.