O papel da mulher no futebol

Enviada em 11/05/2020

Durante a Idade Média, decorrida ao longo do século XVI, a figura feminina era destinada ao casamento e cuidado do lar. Sendo qualquer forma de trabalho ou independência financeira alcançada por meninas, mal vista pela sociedade. De forma análoga, no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, as mulheres alcançaram seu espaço no mercado de trabalho, porém ainda encontram dificuldades de inclusão nos setores majoritariamente masculinos, como no futebol. Isso ocorre ora pelo preconceito, ora pela desigualdade salarial entre os gêneros. Destarte, torna- se evidente a discussão sobre o tema com o intuito de resolver essa problemática.

A priori, é imperiosos destacar que a carência de atletas femininas no futebol é fruto do preconceito ancorado na sociedade patriarcal a qual estamos inseridos, tendo em vista a desvalorização e falta de interesse por parte dos próprios cidadãos para assistir mulheres jogando esse esporte, enquanto idolatram jogadores homens. Nesse âmbito, corrobora- se o pensamento do psicanalista Freud de que as experiências vividas na infância influenciam o comportamento das pessoas ao longo de toda sua vida. Dessa forma, os indivíduos que crescem em um meio machista, tendem a internalizar e repetir hábitos e crenças desse ambiente.

Outrossim, é imperativo pontuar que a reduzida participação do sexo feminino no futebol deriva, ainda, da desigualdade salarial existente entre os gêneros. Isso se torna mais claro, por exemplo, na comparação de salários entre a melhor jogadora do mundo eleita pela FIFA (Federação Internacional de Futebol), Marta com o jogador Neymar, o qual tem um rendimento 175 vezes maior. Dessa maneira, essas ideias contradizem a Constituição Federal de 1988, a qual garante a igualdade como um direito social. Logo, precisa- se de uma intervenção para que essa questão seja modificada com o fito de alcançar a isonomia esperada pela sociedade.

Depreende- se, em suma, a necessidade de medidas que sucedam o papel de maior destaque das mulheres no futebol. Para tanto, urge que as escolas, em parceria com as famílias, insiram discussões sobre esse tema tanto no ambiente doméstico quanto no estudantil, por intermédio de palestras com a participação de especialistas e psicólogos, a fim de desenvolver desde a infância, a capacidade de entender a importância da participação de todos os gêneros nos esportes e acabar com o preconceito. Soma- se a isso, o papel do Executivo, por meio de investimentos no setor midiático, ampliar a visibilidade dos jogos de futebol feminino, com o objetivo de valorizar as atletas e diminuir a desigualdade salarial entre os gêneros. Somente assim, o preconceito e a dependência financeira vivida pelas mulheres na Idade Média deixarão de ser atuais em nossa sociedade.