O papel da mulher no futebol

Enviada em 14/05/2020

A música “Jogadeira”, de Cacau Fernandes, tornou símbolo de motivação para as garotas no Brasil que sonham se profissionalizar no futebol. Conquanto, apesar do relativo crescimento da modalidade no país nos últimos anos, o futebol feminino continua sendo desvalorizado pela maioria do público consumidor, o que dificulta o reconhecimento do papel da mulher dentro do esporte. Desse forma, pode-se pontuar dois fatores que corroboram para esse óbice: a manutenção do aspecto machista e pouca visibilidade no futebol feminino.

Convém salientar, a princípio, que a estigmatização machista dentro e fora das 4 linhas é fruto da herança colonial e de governos antigos. A exemplo disso, em 1941, o presidente Getúlio Vargas decretou uma lei que proibia a prática de futebol por mulheres, a qual vigorou até o final da década de 70. Esse fato lamentável, além de refletir o aspecto patriarcal da cultura brasileira, explica o atraso financeiro e estrutural da modalidade feminina encontrada hoje. Dessa maneira, é lastimável que tal conjuntura se perpetue para as novas gerações, devendo se transformar em um evento atrativo ao público e gerador de empregos no Brasil.

Ademais, por apresentar características técnicas e físicas diferentes do futebol masculino, a categoria feminina acaba por ser menos prestigiada no âmbito nacional e midiático. Assim, encontra-se no campeonato brasileiro de futebol para mulheres um grande disparidade quanto ao número de audiência e investimento publicitário em relação a modalidade masculina, principalmente quando comparada a série A masculina. Logo, é evidente que tal desigualdade precariza as condições de trabalho e salários para as jogadoras, as quais são forçadas a buscar outros empregos para sobreviver, dificultando, então, o desenvolvimento dessa categoria no país verde-amarelo.

Portanto, cabe, primeiramente, ao público consumidor olhar para modalidade feminina sob outra óptica, a fim de valorizar e participar de jogos que ocorrem na cidade. Além disso, as Prefeituras Municipais devem tornar esse evento mais atrativo para as famílias, por meio da contratação de food truck e bandas para o entretenimento em locais públicos, cujo o fito seja aumentar a presença da torcida no estádios e criar espaço para a negociação de novos patrocinadores, o que seria fundamental para a estruturação e o crescimento do futebol feminino no país.