O papel da mulher no futebol

Enviada em 23/05/2020

A trajetória feminina ao longo da história foi e ainda continua sendo marcada pela contínua superação de desafios. E mesmo o futebol, assim como a maioria dos esportes, sendo uma interação social que contribui para a quebra de paradigmas, percebe-se que boa parte da população feminina, seja num contexto nacional, seja em parâmetro internacional, encontra-s à margem da plena realização dessa prática esportiva.

O futebol é uma das atividades esportivas que mais exige um bom condicionamento físico por parte de seus praticantes. E por conta disso, acredita-se, erroneamente, que a introdução de mulheres nesse meio pode gerar uma “masculinização” do corpo feminino, com consequente tendência ao homossexualismo. Entretanto, os estudos mais recentes provam o contrário. Em tese apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, Jorge Knijnik mostra que a ideia de tornar o corpo feminino mais masculino parte de uma visão dualista do que é ser homem e do que é ser mulher e, que a participação de mulheres em áreas ditas como mascuinas, nada tem a ver com o homossexualismo. Logo, fica mais do que evidente que as mulheres não são apoiadas a jogar futebol por conta de uma mera ideia comum calcada de preconceito.

Outro ponto não menos importante, que dificulta a inclusão das mulheres no futebol, é a falta de visibilidade. Infelizmente, o futebol feminino não é tão lucrativo quanto o futebol masculino em questão de patrocínio e de audiência e, por isso não é transmitido com tanta frequência. Essa falta de exposição, por sua vez, faz com que as meninas e mullheres, que queiram iniciar nesse ramo, não tenham em quem se espelhar. Assim, gerando uma diminuição significativa na participação e um consequente atraso dessa modalidade feminina de esporte.

O papel da mulher no futebol brasileiro tem se alterado ao longo dos últimos anos, porém ainda está muito distante do ideal. Contudo, para que haja uma reversão da atual situação, é necessário uma reeducação, principalmente por meio das escolas e através das aulas de Educação Física, sobre o valor inclusivo do futebol. Mas não só, essas mesmas escolas devem criar condições favoráveis para a atuação feminina, tais como: times exclusivamente femininos, “escolhinhas” no período pós aula para que habilidades mais técnicas sejam desenvolvidas, partidas só entre meninas etc. Talvez uma reestruturação básica permita com que as mulheres cheguem em patamares mais elevados, tratando-se de futebol.