O papel da mulher no futebol
Enviada em 23/05/2020
Estádio lotado. Torcida eufórica. “Vai marta!”. “Gol!”. Esse foi o belo cenário da copa do mundo de futebol feminino em 2019, exibido pela primeira vez na maior emissora de televisão brasileira. Nota-se, a partir disso, as mulheres ganhando espaço em um esporte praticado majoritareamente por homens. Entretanto, esse pequeno avanço na valorização da categoria, ainda não supera os desafio enfrentado, sobretudo o legado histórico-cultura e o baixo incentivo, mas ratifica o papel da mulher no esporte, principalmente, na luta a favor da igualdade de gênero no país.
A princípio, é importante pontuar que o futebol, além do campo esportivo, é um espaço sociocultural, com valores e padrões nele embutidos. Nesse contexo, a origem do futebol é eminentemente masculina e a perpetuação da ideia que somente homens deve praticá-lo é fruto de um sociedade machista e patriarcal, a qual ainda espera que a mulher restrinja-se ao ambiente doméstico. Diante disso, a entrada das mulheres em campo desafia esse modelo, e as reações decorrentes - como preconceito e desvalorização - expressam as relações de gênero presentes na sociedade brasileira e ratifica o legado histórico-cultural que norteia a postura da comunidade frente a modalidade feminina.
Desse modo, é visível que o incentivo ao futebol feminino é mínimo quando comparado ao masculino. Ilustra-se isso no baixo interesse das emissoras na compra dos direitos de imagem dos jogos e no diminuto número de patrocínio. Segundo Alfredo Carvalho, diretor comercial da Sport Promotion, empresa que possui os direitos do brasileirão feminino, a Caixa Econômica Federal é a única patrocinadora do campeonato e o dinheiro é insuficiente para custear todas as despesas da competição. Ademais, a discrepância salarial, exemplificada pelos maiores nomes do futebol nacional, Marta e Neymar, em que aquela ganha menos de um décimo do salário deste, evidenciando tal cenário.
Infere-se, portanto, que o futebol feminino contribui para emancipação da mulher no Brasil, mas enfrenta diversos desafios. Dessa forma, com finalidade de romper com paradigmas arcaicos e valorizar a modalidade, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), deve criar campanhas que evoquem a igualdade no esporte, as quais, por meio de propagandas midiáticas, expressem o interesse do órgão pela categoria e descontrua a idea de masculinidade do futebol. Além disso, a CBF pode aumentar o incentivo ao modelo feminino, mediante a criação de estratégias que diminuiam as diferenças salariais e busquem parceirias com canais de TV aberta e patrocinadores que financiem competições, objetivando melhorar a valorização e a visibilidade da mulher no esporte. Talvez assim, o cenário da copa do mundo de 2019 podesse se repetir cotidianamente, e o futebol superasse a desigualdade de gênero que, hoje, é intrínseca a ele.