O papel da mulher no futebol

Enviada em 09/06/2020

Com o Decreto de 1981, assinado pelo Conselho de Desporto, as brasileiras tiveram uma conquista significativa, devido à autorização à prática do futebol feminino. Todavia, percebe-se que apesar desse avanço e de várias décadas terem passado, as mulheres ainda enfrentam no Brasil do século XXI enormes entraves para sua participação no meio futebolístico. Dessarte, convém compreender como o machismo enraizado, assim como o baixo investimento formam esse quadro.

Em primeiro plano, é indubitável que a existência de um machismo consolidado promove a problemática. Isso decorre porque a ideia de superioridade masculina advém desde o Período Colonial, ao qual havia a submissão total da mulher ao homem, mediante um sistema patriarcal, que o enaltecia. Diante disso, conforme a premissa socióloga bourdiesiana de que as estruturas sociais da época são incorporadas e, depois reproduzidas,  vê-se que essa errônea crença sexista oriunda do século XVI  ainda é perpetuada por grande parte dos brasileiros, ao definirem o futebol como esporte masculino, não apropriado ao gênero oposto. Desse modo, é vital que instigar a participação feminina nesse desporto ludopédio, pois representa a quebra de paradigmas machistas

Ademais, nota-se que a falta de incentivo ao futebol feminino dificulta sua permanência. Segundo o Portal Vix, dentre os 20 clubes brasileiros existentes, apenas 7 são femininos. Essa conjuntura decorre devido à falta de interesse de clubes e patrocinadores em financiar o futebol com mulheres, uma vez que mediante um super enaltecimento a carreira masculina nesse esporte, eles não financiam times femininos, nem tão pouco oferecem visibilidade às jogadoras, o que as desestimula e, consequentemente, afeta seu desempenho. Dessa forma, é intolerável que em um país democrático, ainda exista essa disparidade de gênero no âmbito futebolístico.

Urge, portanto, a necessidade de ações que combatam o impasse brasileiro. Sob essa ótica, o Congresso Nacional, órgão responsável pela fiscalização e criação de normas, deve garantir um maior investimento no futebol com mulheres, por meio da aprovação de uma lei que defina que em todos clubes brasileiros deve existir times femininos, a fim de que haja uma solidificação feminina nesse desporto. Outrossim, é mister que a mídia desconstrua o machismo enraizado, mediante publicidades com jogadoras e artistas que retratem o respeito, assim como a importância da igualdade no tratamento delas no meio futebolístico. Para que, assim, avanços como o do Decreto de 1981 sejam constantes no Brasil.