O papel da mulher no futebol
Enviada em 19/06/2020
Durante o período compreendido entre o governo de Getúlio Vargas ao final da ditadura militar, perdurou uma lei que proibia a atuação feminina no futebol, já que a ideologia social identificava esse esporte como algo destinado aos homens. Com base nesse fato histórico, é perceptível que essa visão retrógrada tem sido desconstruída, posto que a frequente presença da mulher nesse desporto rompe os paradigmas sociais, o que contribui para o desenvolvimento de uma sociedade marcada pela equidade. Todavia, a negligência social colabora para que essa mudança se torne lenta e gradual.
Primeiramente, vale salientar a colaboração dos portais midiáticos, como exemplo a Rede Globo, que vem destacando o futebol feminino, e o canal Desimpedidos, o qual tem exercido, progressivamente, a justa integração da mulher nesse ambiente. Tal medida mostra-se importante a partir do fato de que essa participação possibilita o fortalecimento do seu emponderamento, o qual traz a compreensão da relevância das mulheres nas questões futebolísticas, assim como anula o pensamento patriarcal que define o futebol como algo exclusivamente masculino. Sendo assim, a representatividade feminina promove a identificação própria e o senso de pertencimento, colaborando, assim, para a construção de uma nação isonômica onde as mulheres tomem decisões sem serem coibidas socialmente.
Em contrapartida, cabe destacar que a conjuntura social é moldada, principalmente, pelos ideais capitalistas caracterizados pelas melhorias nos setores onde os investimentos ocasionarão os lucros desejados. Essa perspectiva não é diferente no cenário do futebol, haja vista a maior dificuldade das mulheres em ingressar nesse ramo a medida que recebem salários e patrocínios bastante ínfimos em relação à situação futebolística masculina; como é o caso de Marta, conforme o portal Congresso em Foco, a qual chega a ganhar centenas de vezes menos que Neymar Junior. Desse modo, enquanto o futebol feminino não receber o devido enaltecimento social, a modalidade masculina, infelizmente, continuará sobrepondo a feminina, e as mulheres não atingirão totalmente a equidade almejada.
Depreende-se, portanto, que esse cenário deixe de ser realidade. Dessa forma, as instituições educacionais, apoiadas pelos movimentos feministas, devem promover aos discentes e responsáveis, por meio de palestras ou aulas lúdicas, campanhas de orientação sobre a necessidade da valorização do futebol feminino, a fim de que toda a comunidade obtenha consciência da importância que essa notoriedade trará tanto para o cenário esportivo, quanto para a luta por mais direitos às mulheres. Além disso, faz-se imperativo que jogos eletrônicos de futebol tragam uma versão com elencos femininos, para que essa modalidade faça parte do cotidiano juvenil e, assim, o reconhecimento essencial torne-se efetivo. Desse modo, espera-se que a concretização de uma nação mais equilitária seja realizada.