O papel da mulher no futebol
Enviada em 27/06/2020
Conforme expõe o filósofo Pierre Bourdieu, as pessoas são resultados de suas particularidades em conjunto com a vivência social. Essa ideia demonstra que, para o indivíduo enriquecer sua existência, é de suma importância a prática de atividades na sociedade. Contudo, é evidente que nem todos podem desfrutar de determinados bens, o que se reflete na desvalorização do papel da mulher no futebol. Assim, o preconceito dificulta a atuação da mulher no esporte como lazer e profissão. Desse modo, o trâmite revela, nocivamente, o enraizamento do machismo na sociedade.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a atenuada discussão da importância da mulher no futebol é uma mazela. Acerca disso, no livro Totem e Tabu, Sigmund Freud, o pai da psicanálise, descreve os totens como elementos importantes para a sociedade e os tabus como comportamentos e ações inadmissíveis, sendo, consequentemente, poucos discutidos. Dessa maneira, o preconceito expressa-se em piadas de mal gosto e em frases do senso comum, por exemplo, como o dito: lugar de mulher é na cozinha . Nesse aspecto, o tabu da mulher no futebol configura-se como um desafio para o enriquecimento da sua vivência e o desenvolvimento de suas peculiaridades, sendo assim, algo grave ante o estudo de Pierre.
Por conseguinte, o papel desvalorizado da mulher no futebol revela a desigualdade de gênero na comunidade social. É nítido na atualidade, ainda, a alta diferença salarial entre jogadores e jogadoras do esporte. Comprova-se, assim, pela pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, que afirma que as mulheres recebem em torno de 70% do salário de um homem que ocupa o mesmo cargo. Sob esse prisma, o machismo velado repercute, tragicamente, de maneira negativa no desenvolvimento do futebol feminino . Nesta conjuntura, o desestímulo devido ao preconceito, à diferença salarial e à desvalorização do jogo feminino tem gerado desafios para a integridade do futebol. Logo, esse cenário distópico atua de forma a manter a suposta inferioridade da mulher, bem como as piadas torpes.
Portanto, é claro o dever de promover o apreço pelo papel da mulher no futebol. Com efeito, esse problema deve ser combatido pelos colégios. Urge que o Governo Federal promova, nas escolas públicas e nas particulares, projetos educadores. Neste modo, será viabilizado por meio do contrato de profissionais, que realizam atividades lúdicas para a compreensão do tema pelos alunos. Enquanto isso, conscientizar os alunos sobre a igualdade de gêneros. Espera-se, sob tal perspectiva, a “totemização” do futebol feminino, como também a concretização da máxima de Bourdieu.