O papel da mulher no futebol

Enviada em 01/07/2020

Na série espanhola “Minas do Hóquei”, as jogadoras de uma equipe feminina de hóquei sobre patins lutam pelo seu espaço no esporte e enfatizam a importância da união das mulheres em uma sociedade patriarcal e machista. Fora da ficção, é fato que o conflito vivido pelas personagens é uma realidade para as brasileiras, especialmente no futebol, o que gera desigualdades e preconceitos. Logo, faz-se importante uma análise dessa problemática com mais afinco.

Nesse contexto, é necessário salientar que a desigualdade entre gêneros é uma problemática histórica ainda muito evidente no mundo contemporâneo. Sendo o esporte uma das práticas sociais que reflete os padrões de comportamento e os valores de uma sociedade, o machismo está, indubitavelmente, enraizado nesse âmbito. Nesse sentido, segundo a revista Politize, a Copa do Mundo Masculina é financiada, em média, com 400 milhões de dólares, enquanto a feminina recebe apenas 30 milhões. Portanto, fica claro que ainda não é dado o devido incentivo à inclusão da mulher no meio esportivo.

Outrossim, é preciso ressaltar a forte carga cultural e histórica relacionada ao preconceito que as mulheres sofrem no futebol. O afastamento feminino da prática esportiva é dado sob inúmeros discursos. Dentre eles, destaca-se, como na Grécia Antiga, o fato de a mulher ser considerada “sexo frágil”, enquanto o esporte seria para os fortes. Além disso, desde a infância, a menina é criada para realizar as atividades domésticas e para, futuramente, casar e cuidar dos filhos. Tal fato mostra que a falta de incentivo às práticas desportivas começa desde cedo. Nessa perspectiva, é pertinente trazer a ideia da feminista Malala Yousafzai de que a liberdade é o poder das mulheres. Assim, é fundamental libertar as mulheres da cultura intolerante e preconceituosa presente na sociedade brasileira, a fim de que empoderem-se e tenham mais visibilidade no futebol.

Em suma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Logo, é preciso que o Superministério da Cidadania — órgão governamental responsável pelos programas esportivos, culturais e de assistência à população — garanta direitos iguais para homens e mulheres dentro do âmbito esportista, por meio de uma regulamentação que vise o mesmo piso salarial entre jogadores e destine a mesma quantidade de verbas governamentais para campeonatos de ambos os gêneros. Dessa forma, será possível assegurar a valorização de todos os profissionais da carreira, uma vez que todos terão a mesma relevância para a indústria. Como resultado, a mídia irá se engajar perante o futebol feminino, e consequentemente, o público também.