O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/07/2020

Jogue futebol como uma garota

Na primeira edição do programa Masterchef Profissionais, exibido pela emissora Band, em determinado capítulo a participante Dayse Paparoto foi, pejorativamente, mandada a limpar o chão, enquanto seus colegas, homens, cozinhavam. Analogamente, esse episódio machista se repete no futebol, sendo o feminino rebaixado em relação ao masculino. Neste contexto, o machismo estrutural e a falta de apoio ao futebol feminino, são dois entraves ao papel da mulher no futebol e devem ser combatidos.

Primeiramente, destaca-se o machismo estrutural perpetuado na sociedade brasileira. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, as mulheres se dedicam, em média, dez horas a mais por semana aos afazeres domésticos do que os homens. Assim, é evidente o descompasso entre o papel da mulher e do homem em casa. Esse machismo estrutural se revela também no futebol feminino, o qual não é reconhecido como deveria. O futebol masculino é reverenciado nas copas, nos campeonatos, enquanto o feminino mal é citado.

Outro fator preponderante aponta para a falta de apoio concedido ao futebol feminino. Praticamente não é divulgado na televisão ou nas rádios e faltam patrocinadores. Tal situação forma um quadro de desamparo ao futebol feminino, enquanto o futebol masculino é cada vez mais idolatrado pela população brasileira. O ídolo do futebol normalmente é um homem, e não uma mulher, apesar do futebol feminino ser uma realidade. A falta de apoio torna o futebol de mulheres algo escondido, raramente citado e desmerecido, apesar de todo potencial feminino desconsiderado.

A sociedade brasileira, portanto, encontra-se imersa no machismo estrutural e na falta de apoio ao futebol feminino, dois entraves ao papel da mulher no futebol. A fim de que se minimize esse cenário, deve o Estado, em parceria com o Ministério da Cidadania na pauta de gestão de esportes, criar o projeto: “Jogue futebol como uma garota”, onde professores de educação física ensinariam o esporte nos municípios e seriam realizados campeonatos entre os times formados. O programa contaria ainda com a parceria com emissoras de televisão para divulgação maior sobre o futebol feminino e seus campeonatos. Aumentam-se, assim, as chances de que a mulher possa desenvolver um papel efetivo no futebol e na sociedade brasileira.