O papel da mulher no futebol
Enviada em 11/07/2020
Sabe-se que, diante do cenário brasileiro, há uma complexa e notável diferença entre o futebol masculino e feminino, demonstrando como evidência o livro de Jober Teixeira Junior, “Mulheres no Futebol: a inclusão do charme”, que aponta os problemas enfrentados pelas mulheres no âmbito esportista e futebolístico e o papel que grandes nomes como o de Marta, grande atleta brasileira, têm na vida e no sonho de pequenas meninas jogadoras. Tal desigualdade de gênero, imposta sobre esse mundo profissional, provém de aspectos como a falta de patrocínio por parte das instituições, em soma com o machismo velado e naturalizado nesse exemplo de esporte.
Primordialmente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) destinou à equipe feminina vencedora da categoria do Brasileirão de 2017 uma premiação que é 141 vezes menor do que dado aos homens no mesmo campeonato. Isso mostra o descaso que entidades do futebol mantém, na sociedade contemporânea, sobre as mulheres que querem ter esse esporte como profissão, repercutindo em uma baixa cobertura midiática e social, com pequenos públicos para assistir os jogos e pouquíssimos investimentos para melhores contratações e desenvolvimentos profissionais.
Além do desprezo de organizações especializadas, o machismo velado e estruturado, dentro da comunidade como um todo, só torna permanente a falta de recursos e a deficiência social em valorizar o futebol feminino. De acordo com a historiadora da arte Linda Nochlin, na década de 70, as notáveis barreiras sociais impediram as mulheres de seguir a carreira artística pelo infeliz patriarcado exacerbado que perdura sobre a coletividade mundial, demonstrando a intensa desigualdade de gênero. De maneira análoga à contemporaneidade, é notável que essa perspectiva de inferioridade acerca da mulher conserva-se sobre o futebol feminino, visto que a frase informal “Futebol não é coisa de mulher” é facilmente naturalizada e a plateia esportiva de jogadoras mulheres é baixa e insuficiente.
Assim, infere-se que, é fundamental um projeto de ações públicas que possibilitem maiores investimentos e divulgações a respeito do futebol feminino, concretizadas pelo Ministério do Esporte, concomitantemente com o Estado, através de leis sancionadas e fiscalizadas corretamente, para que haja um maior reconhecimento de jogadoras no cenário futebolístico, além de um aumento na percepção igualitária de todos os indivíduos . Dessa forma, haverá uma diminuição da desigualdade de gênero no âmbito do esporte com “a bola no pé” e infelizes contrariedades enfrentadas por mulheres, apresentadas no livro de Jober, deixarão de ser comuns na sociedade hodierna.