O papel da mulher no futebol
Enviada em 10/09/2020
No filme de sucesso ‘‘Mulher Maravilha’’, Diana Prince é uma super-heroína que abre mão da segurança de sua ilha para tentar pôr fim a uma guerra que está devastando o mundo, mostrando-se assim, uma guerreira com forte senso de representatividade e força feminina. Entretanto, a amazona enfrenta também, os efeitos de uma sociedade patriarcal que não tolera mulheres em papéis tão significativos. Fora da ficção, é fato que a trajetória da heroína mais famosa do mundo, pode ser relacionada ao papel da mulher no futebol, uma vez que a sociedade ainda enxerga esse esporte como majoritariamente masculino. Nessa perspectiva, a fim de compreender, para assim desmistificar, cabe analisar as dificuldades enfrentadas pela mulheres no mundo futebolístico.
Primordialmente, é válido ressaltar que, a prática de esportes para as mulheres é nova no país: fazem apenas 37 anos que as mulheres podem praticar no Brasil, já que de 1941 até 1983 as mulheres eram, por lei, ‘‘incompatíveis por natureza’’ à prática de esportes. Porém, tal incompatibilidade é resultado de uma sociedade machista e patriarcal que desvaloriza as mulheres em diversos campos, principalmente nos que são predominados pelo público masculino. Exemplo disso, é a diferença de apoio financeiro e investimento entre os gêneros, pois, segundo dados da Federação Internacional de Futebol (Fifa), a entidade dedicou cerca de 1,5 bilhões à Copa do Mundo masculina de 2018, já o torneio feminino deste mesmo ano, teve o orçamento de 111,6 milhões, revelando assim, uma desigualdade gritante.
Observa-se, ainda que, a falta de visibilidade, investimento e equidade salarial no futebol feminino é um entrave para a prática bem sucedida de todas as mulheres que fazem desse esporte sua profissão e carreira. Exemplo desse óbice, ocorre na própria seleção brasileira, uma vez que, nossos maiores atletas são: Marta e Neymar, a brasileira que joga no Orlando Pride, e segundo a Revista Alma Preta, recebe cerca de 1,47 milhões por ano e Neymar, que joga no Paris Saint Germain e recebe cerca de 396 milhões. Tal dissimetria salarial é justificada por ‘‘futebol feminino não enche estádio’’, ‘’não dá audiência’’, entretanto, Marta tem seis Bolas de Ouro, nível jamais alcançado por qualquer homem.
Portanto, medidas devem ser tomadas para amenizar a situação atual. Cabe as Federações esportivas responsáveis pelos jogos e aos patrocinadores tradicionais do futebol, investirem nos times femininos, para assim, as jogadoras terem um bom treinamento, maior desenvolvimento e melhor salário, tornando-as ainda mais qualificadas e bem remuneradas. Ainda, as entidades futebolísticas, devem investir em transmissões midiáticas de partidas femininas, como maneira de conquistar o telespectador. Dessa forma, o futebol feminino pode ser desmistificado e as mulheres escolherem o que seguir de profissão, pois, consoante a feminista Malala Yousafzai, a liberdade é o poder das mulheres.