O papel da mulher no futebol
Enviada em 21/08/2020
O filme norte-americano, exibido pela primeira vez em 2006, “Ela é o cara”, retrata a história da adolescente Viola e de sua saga em se disfarçar de homem para que conseguisse uma vaga no time de futebol da universidade. Fora das telas, o filme representa a real discrepância que ocorre entre homens e mulheres, em que estas precisam lutar constantemente por seus direitos, inclusive para garantirem seu espaço dentro do campo de futebol. Nesse cenário, é preciso entender as raízes históricas dessa problemática e como ela ainda afeta mulheres em pleno século XXI.
Em primeiro momento faz-se necessário entender que, embora a Constituição garanta igualdade para todos, na prática isso nem sempre aconteceu na história brasileira. Enquanto homens sempre possuíram seu espaço no mercado de trabalho, a mulher foi apenas inserida no início do século XX, devido a demanda das Grandes Guerras. Dessa forma, com o futebol não foi diferente, uma vez que, a prática esportiva feminina ficou proibida pelo Decreto- Lei 3199, de 1941 até 1979. Assim, devido essa falta de valorização, muitas vezes, praticantes femininas acabam sendo estigmatizadas e sujeitas a preconceitos, sendo taxadas como masculinas e violentas.
À vista disso, esse cenário afeta negativamente a disseminação do futebol feminino no país. De acordo uma pesquisa realizada pela FIFA, Federação Internacional de Futebol, Os Estados Unidos, tetra campeões mundiais na modalidade, apresentam cerca de nove milhões de mulheres praticando o esporte, enquanto o Brasil conta com apenas quinze mil na mesma categoria. Nesse contexto, essa mesma pesquisa realizada em 2018, comprovou que apenas um por cento da verba total dos clubes era destinado a equipe feminina, expostas a treinos mal estruturados e à desigualdade salarial. Outrossim, na área técnica a participação feminina ainda é tímida, consolidando um percentual de apenas trinta por cento, conforme dados do Minas Tênis Clube.
Diante do exposto, é nítida a necessidade de medidas que solucionem esse problema. Portanto, cabe ao governo, por meio do Ministério da Cidadania e em parceira com órgãos esportivos, tais como a CBF, Confederação Brasileira de Futebol, realizar investimento em propagandas; através das mídias digitais, cartazes e outdoors, as quais busquem destacar a importância da valorização do futebol feminino no país, a fim de incentivar a participação de cada vez mais mulheres nessa modalidade. Além disso, cabe ainda aos mesmos, o papel de ampliar os investimentos nesse setor, com a finalidade de resolver os problemas estruturais e atenuar as disparidades salariais existentes, valorizando a participação igualitária no futebol e nos esportes em geral. Somente assim será possível promover o rompimento desse tabu imposto socialmente, como evidenciado no filme “Ela é o cara”.