O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/09/2020

O filme, “Driblando o Destino”, relata à vida da jovem indiana Jesminder, que sonha em ser jogadora de futebol, mas para isso, precisa enfrentar a resistência de sua família, cujo conservadorismo não vê com bons olhos seu desejo de seguir os passos do seu ídolo, David Beckham. De maneira semelhante, aliado à falta de apoio por parte das grandes marcas que patrocinam o futebol mundial e a pouca visibilidade que as mulheres possuem no cenário, o papel da mulher vem ganhando destaque ao longo do século XXI, porém, ainda muito pouco, devido a disparidade de salários e investimentos entre futebol feminino e masculino.

Em primeira análise, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística), publicada em março de 2010, mostra que as mulheres ganham 72,3% do salário de um homem que ocupa o mesmo cargo e possui a mesma escolaridade ou menos. As grandes marcas se utilizam da argumentação comum da lei de mercado para tentar explicar o porque dos dados anteriores, em que o futebol feminino, enquanto produto, é menos rentável, gerando menos dinheiro para o investimento. Mas as jogadoras ganham menos porque participam de um mercado que gera remuneração menor ou é o mercado que paga menos porque se trata de mulheres?

Ademais, durante a copa do mundo de 2019, realizada na França, a jogadora da seleção brasileira de futebol, Marta, recusou um patrocínio da marca Puma, pois no contrato oferecido a jogadora ganharia menos que antes e um mundo de diferença entre jogadores do futebol masculino, também patrocinados pela marca, revelando que as mulheres ganham menos apenas por serem mulheres. Outro aspecto relevante é falta de visibilidade dos jogos. Durante toda a copa do mundo de 2018, todos os jogos masculinos foram televisionados, mas na copa do mundo de futebol feminino, em 2019, isso não ocorreu por não ser um mercado tão chamativo para o público, e infelizmente a sociedade também possui uma parcela de culpa, pois não dão valor ao futebol em geral, mas apenas uma parcela dele, assim como em outros esportes.

Averigua-se, desse modo, que medidas devem ser efetivadas para combater a questão. Logo, cabe a FIFA, em parceria com grandes marcas, dar mais visibilidade ao futebol feminino, incluindo em dias da semana alguns jogos para serem televisionado em rede aberta, buscando amenizar a supremacia do futebol masculino. Outra iniciativa que pode ser tomada, é a realização de festivais, shows ou mini eventos que possam levar as pessoas aos estádios de futebol, para que possam ter mais bilheteria e quebrar a argumentação de que ganham menos por não se tratar de um ramo atrativo.