O papel da mulher no futebol

Enviada em 06/10/2020

Durante o processo de independência brasileiro,a baiana Maria Quitéria teve que fingir ser um homem para poder lutar nas batalhas sem o impedimento da família e da sociedade.Somente anos depois sua verdadeira identidade foi revelada, embora nem todos na época tenham reconhecido sua importância na independência do país,Quitéria tornou-se símbolo da emancipação feminina.Atualmente,as mulheres ainda sofrem para assumirem posições que são comumente masculinas,como a posição de jogadora de futebol,que é de extrema importância,pois incentiva meninas e mulheres a seguirem a carreira e quebrarem paradigmas machistas.Todavia,aspectos culturais e à falta de incentivo governamental, impedem que essa profissão seja plenamente exercida.

Em primeiro lugar,deve-se destacar que uma cultura arcaica e machista contribui para o preconceito em relação ao futebol feminino.Parafraseando  o sociólogo francês Pierre Bourdieu,a violação dos direitos humanos não está somente no embate físico,mas também no preconceito.Nesse âmbito, pode-se afirmar que as jogadoras de futebol sofrem esse preconceito diariamente,uma vez que não recebem o mesmo salário de jogadores homens e nem a mesma audiência,devido a um paradigma arcaico e machista que diz que mulheres não devem jogar futebol.Assim,sofrem essa violação de seus direitos de igualdade,por meio do preconceito de telespectadores e empresas de patrocínio.

Outrossim,é notável que as instituições públicas não se esforçam para combater esse preconceito.De acordo com o filósofo grego Aristóteles,“a política tem como função preservar o afeto na sociedade”.No entanto,no quesito igualdade no futebol,ela não cumpre esse papel,visto que não há políticas públicas eficazes com o intuito de incentivar essa igualdade,intensificando o preconceito e a desigualdade. Desse modo as jogadoras,muitas vezes,não conseguem se manter na carreira e cumprir o seu importante papel no caminho para igualdade de gênero na sociedade.

Depreende-se,portanto,que medidas devem ser tomandas.Primeiramente,o Ministério da Educação deve promover campanhas de conscientização e de combate ao machismo,por meio de palestras nas escolas abertas a alunos e familiares,abordando a importância da representatividade feminina,não só nos esportes mas em todas as áreas,além de orientar as pessoas sobre as consequências do machismo e do preconceito,com o intuito de combater a cultura machista e promover uma consiência coletiva de igualdade.Ademais,o Ministério da economia deve incentivar o apoio financeiro e social ao futebol feminino,por meio da destinação de verbas às instituições de esporte feminino e a eventos como jogos de futebol  feminino gratuitos em estádios,com o fito de promover interação entre as mulheres do futebol e a sociedade e a igualdade de gênero.