O papel da mulher no futebol
Enviada em 28/12/2020
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6º, garante a todos os brasileiros, independente de gênero, o direito às práticas esportivas como um direito social fundamental. No entanto, nem sempre as mulheres tiveram esse espaço no futebol, haja vista a proibição da prática desportiva pelo gênero até meados do século XX. Nos dias atuais, apesar da garantia constitucional, a prática do futebol por essa minoria política ainda enfrenta desafios, em virtude do legado histórico somado ao machismo estrutural.
É importante ressaltar, primeiramente, que o desenvolvimento e divulgação do esporte feminino ainda é recente no contexto brasileiro. Sob esse viés, a historiadora Mary Del Priore, em seu livro “Histórias da Gente Brasileira”, disserta que as mulheres foram privadas, durante décadas, da prática de diversos esportes, entre eles o futebol. Em decorrência desse processo, como apresentado pelo programa televisivo “Profissão Repórter”, em episódio sobre o futebol, mesmo após as garantias legais advindas da Carta Magna, a falta de interesse dos grandes clubes, bem como a ausência de patrocionadores, são um problema para a consolidação da prática pelo público feminino, que é prejudicada devio à ausência de investimentos.
Ademais, outro fator que impede a consolidação do papel da mulher no futebol é o preconceito de gênero. Sobre essa perspectiva, Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, evidencia que a história do país foi permeada por uma política patriarcalista que, durante séculos, marginalizou a participação política e social das mulheres. Em decorrência, a prática do desporto por elas,atualmente,sofre preconceito de parcela da sociedade que não consegue superar os valores morais antigos. Sobre isso, o jornal “El País”, em reportagem, demonstrou que, apesar de se tratar de um crime, as jogadoras sofrem constante agressões verbais dentro e fora do campo.
Fica claro, portanto, que o papel da mulher no futebol não é devidamente valorizado tanto pelo legado histórico quanto pela permanência do machismo no contexto contemporâneo. Urge, dessa forma, que o Ministério da Educação (MEC), em parceria com as mídias de grande alcance, crie um campanha publicitária, a ser divulgada em todos os canais abertos e, também, no site do MEC, para dismitificar qualquer receio histórico acerca do papel da mulher no futebol. Tal campanha deve contar com a entrevista de jogadoras que sofreram preconceito pela prática do desporto com o fito de gerar senso crítico na população. É dever, ainda, do Governo Federal, juntamente com o Tesouro Nacional, disponibilizar uma “Bolsa Atleta” para as jogadores que não obtiverem patrocínio, garantindo que elas possam continuar se dedicando ao esporte. Feito isso, o direito social será, enfim, cumprido na prática.