O papel da mulher no futebol

Enviada em 15/01/2021

No filme “Ela é o cara”, a personagem principal é obrigada a esconder seu gênero para seguir seu sonho: jogar futebol. De maneira análoga, fora da ficção, o papel da mulher é, na maioria das veses, inferiorizado pelas instituições e torcedores desse esporte. Diante disso, cabe analisar o preconceito acerca do “sexo frágil” e espetacularização do esporte como problemas a serem superados.

Em primeiro lugar, observa-se que há descrença em relação ao potencial feminino para o futebol. Isso ocorre devido ao machismo enraizado na sociedade, cuja dinâmica discriminatória é refletida para os gramados. Sob esse viés, a mulher, além de possuir seu suposto papel social modificado pela prática esportiva, já que é programada para cuidar da casa e dos filhos, é vista como frágil e, por isso, não deve realizar tarefas que afetem facilmente sua integridade física. Portanto, evidencia-se a segregação do gênero e a desvalorização monetária e social de atletas femininas, o que diminui drasticamente seu papel nesse esporte.

Ademais, interessa, ainda frisar que o futebol, além de ser dominado por homens, é feito para atender os anseios do espectador. Isso acontece em virtude da Sociedade do Espetáculo, na qual, segundo o filósofo Guy Debord, as ações dentro de uma sociedade visam o lucro e, com isso, representam o que o público e patrocinador desejam. Nessa perspectiva, a espetacularização do esporte para massificar seu consumo é priorizada em detrimento de sua função social, que é a inclusão social e superação das desigualdades, uma vez que a associação entre sociedade machista e o grande público ser, em sua maioria, masculino garante o sucesso do “futebol espetáculo”. Com isso, nota-se a discrepância de salários entre os gêneros, bem como o abismo entre a elevada audiência dos jogos masculinos e deteorização dos femininos.

Fica claro, desse modo, que tanto o machismo enraizado quanto a espetacularização são gargalos do protagonismo da mulher no futebol. Para reverter o quadro, urge que o Ministério da Educação combata a segregação de gênero no esporte, por meio da introdução de aulas de educação física na grade curricular das escolas e promoção de campeonatos de ambos os sexos uma vez a cada semestre. Essa medida tem o intuito de mitigar o machismo na sociedade, bem como acabar com o preconceito de “sexo frágil” e despreparado para a prática esportiva. Além disso, é imprescindível que o Ministério do Esporte valorize o futebol feminino, por intermédio do investimento em jogos, incentivo à patrocinação dos clubes por empresas privadas e aumento da audiência com a compra de horários exclusivos para retratar os campeonatos. Essa proposta objetiva minimizar a espetacularização masculina e valorizar a feminina. Dessa forma, vislumbrar-se-á um futuro femino diferente do filme.