O papel da mulher no futebol
Enviada em 16/01/2021
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens ganham cerca de 27% a mais que uma mulher que ocupa o mesmo cargo. De maneira semelhante, o papel da mulher no futebol é subestimado em detrimento da prevalência masculina nos esportes. Dessarte, em razão do machismo histórico e da disparidade de investimentos e salários entre futebol feminino e masculino, emerge um problema complexo que precisa ser revertido.
Diante desse cenário, destaca-se o machismo histórico como causa do problema. No livro “Casa-Grande e Senzala”, o sociólogo Gilberto Freire descreve uma população centrada no homem branco, o senhor dominador não só da sua propriedade, mas de todas as áreas da sociedade. Nesse sentido, Freire denuncia a predominância do masculino como colaborador do apagamento da mulher e da indiferença para com suas atividades, a exemplo do futebol. Em vista disso, não é plausível que a nação ainda mantenha o pensamento retrógrado do período colonial, evidenciado pelo sociólogo.
Além disso, a falta de investimento é um grave problema. Sob esse viés, o ativista político Martin Luther King afirma que “a injustiça num lugar é uma ameaça a justiça em todo lugar”. Assim, a diferença do capital investido pelo governo e pelas grandes marcas entre o futebol feminino e masculino, visto que enxergam o futebol masculino como mais rentável, se torna um empecilho para a valorização do papel da mulher no futebol. A profunda desigualdade vai de encontro ao objetivo a que se refere o artigo 3º da Carta Magna: construir uma sociedade justa e solidária.
Portanto, é evidente que se deve buscar caminhos para a valorização do papel da mulher no futebol. Para isso, cabe a Confederação Brasileira de Futebol,em parceria com grandes marcas, repudiar todo e qualquer ato de machismo no ambiente esportivo, por meio de propagandas na mídias televisiva e digital que estimulem a participação e a valorização cada vez maior das mulheres no futebol, e investimentos públicos e privados em times femininos, a fim de dar mais visibilidade ao futebol feminino e atenuar as disparidades em relação ao futebol masculino. De sorte, assim, cumprir-se-á a sociedade assegurada pela Constituição Federal.