O papel da mulher no futebol
Enviada em 23/02/2021
“Ela é o cara” é um filme americano que retrata as dificuldades que as mulheres enfrentam no esporte. Na obra, um time feminino de futebol é suspenso por falta de candidatas suficientes. No entanto, as meninas interessadas pedem que as incluam na equipe masculina para não serem prejudicadas, o técnico se recusa com o pretexto de mulheres não serem tão atléticas quanto os homens. Fora da ficção, é fato que os problemas existentes no longa metragem podem ser relacionados ao mundo esportista atual. Apesar da gradativa conquista feminino no futebol, o baixo incentivo e a falta de investimento emergem como empecilhos para o sucesso das mulheres na área futebolística. Em primeiro lugar, é importante destacar que garotas são constantemente desencorajadas a ingressarem no futebol, com o fundamento de que não são fortes o suficiente para aguentar tal prática. Em resumo, no ano de 1941, um decreto foi criado proibindo as mulheres de exercitar desportos incompatíveis com sua natureza, pois, segundo os médicos, a prática era prejudicial aos órgãos reprodutores, visto que há um certo contato físico durante o jogo. Como consequência, décadas depois, ainda há uma crença cultural que associa o futebol ao universo masculino. De acordo com uma matéria publicada em 2018 pelo sítio O Globo, 65% das mulheres que queriam ser jogadoras desistiram devido ao baixo incentivo de seus pais e até mesmo professores por considerarem a prática incompatível com o sexo feminino. Além disso, vale ressaltar que a desvalorização das mulheres no futebol é fruto do baixo investimento na modalidade. Conforme o jornal Extra, somente 1% do orçamento dos clubes vai para as equipes femininas, por conseguinte, as garotas desistem da carreira por falta de estrutura. Ademais, a falta de transmissão dos campeonatos nas emissoras corrobora para invisibilidade e consequente desinteresse da população e patrocinadores pelos jogos. Segundo o Centro de Esporte e Lazer Unisinos, uma pesquisa realizada no ano de 2019 apontou que apenas 2,7% da cobertura midiática brasileira é destinada ao futebol feminino. Nesse sentido, os investidores centram seus recursos nas equipes masculinas. Portanto, medidas são necessárias a fim de amenizar o quadro atual. Com o intuito de garantir às mulheres oportunidades igualitárias, urge que o Ministério da Cidadania promova, por meio de verbas governamentais, palestras educativas nas escolas abrangendo pais, alunos e professores para que desmistifique a ideia de que futebol é para homens. Em paralelo, contribuir para que os campeonatos sejam transmitidos em rede televisiva aberta, tendo como objetivo atingir grande público e, consequentemente, investidores. Somente assim, será possível amenizar os obstáculos e as mulheres não serem prejudicadas, assim como no filme: Ela é o cara.