O papel da mulher no futebol
Enviada em 19/04/2021
Em seu livro, Segundo Sexo, a filósofa existencialista Simone de Beauvoir, ao questionar os padrões sociais, afirma que não se deve haver uma predestinação das condutas comportamentais do gênero feminino. Contudo, analogamente, o sexismo ainda se faz presente no âmbito social, dificultando a efetivação da equidade entre homens e mulheres, sobretudo nos meios majoritariamente masculinos, como a exemplo da consolidação da presença feminina no futebol.
Mediante ao elencado, apesar do caráter benéfico que o esporte oferece a saúde de ambos os sexos, além de ser uma das modalidades mais reconhecidas e valorizadas, o ambiente futebolístico, ainda restringe as mulheres em sua constituição, vítimas de desmerecimentos e injustiças, sejam elas esportistas, árbitros ou treinadoras. Como exposto na produção cinematográfica “Ela é o Cara”, a qual narra a trajetória de Viola, uma jovem que almeja se tornar uma jogadora reconhecida, mas é privada de seu sonho pelo machismo presente na sociedade, tendo que adentrar a equipe masculina de forma ilegal para dar continuidade aos seus objetivos.
Tais fatores, devem-se a conservação de estereótipos, que marginalizam a figura feminina, caracterizando-a como fraca e incapaz de realizar exercícios físicos, afastando o esporte da sua gama de interesses. Ademais, a falta de visibilidade midiática, que como preferência jogadores, tanto na exibição de partidas masculinas em canais abertos, quanto na promoção de comerciais e premiações, uma vez que, estes apresentam uma maior lucratividade financeira, em detrimento das esportistas, ocasionando assim o baixo consumo do futebol feminino pelo público e redução da possibilidade de garotas virem a se tornar atletas, devido à falta de estímulos.
Desta forma, configura-se como um dos maiores exemplos de desvalorização, o caso do atacante da seleção brasileira, Martha da Silva. Sendo que, mesmo eleita melhor jogadora do mundo seis vezes, pela Federação Internacional de Futebol, apresenta um menor valor comercial do que seus colegas homens, recebendo assim baixos salários, mesmo apresentado qualificações equiparáveis e até maiores, unicamente pelo fato desta ser mulher.
Por conseguinte, visando a construção de uma sociedade mais e equânime e a valorização do papel das mulheres no futebol, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com o da Cidadania, a promoção de palestras e aulas experimentais nas escolas, objetivando não só atrair meninas para as quadras, mas também promoverem a desestruturação do princípio que esportes constituem somente o universo masculino. Não obstante, o desenvolvimento campanhas midiáticas, pelas esferas televisivas, buscando promover a visibilidade de jogos e campeonatos femininos, alçandopor um maior público.