O papel da mulher no futebol
Enviada em 23/04/2021
O período ditatorial do Estado Novo (1937-1946), que tinha Getúlio Vargas no poder, foi marcado, fora dos ginásios e estádios, pelo pior momento da história esportiva brasileira: em 1941 o presidente baixava o Decreto-Lei 3.199, art 54, proibindo a prática esportiva às mulheres de esportes que não fossem “adequados a sua natureza”. Dessa forma, essa medida, que perdurou por 40 anos, oficializou algo que está presente na realidade esportiva para as mulheres do Brasil: o preconceito e a ignorância com suas atletas. Sendo assim, modalidades como o futebol feminino, apesar de suas conquistas, ainda sofrem com a falta de apoio financeiro e atração de público, problema fortalecido principalmente pela falta de incentivo e visibilibilidade nas redes de transmissão.
Nesse contexto, o título da música “País do Futebol”, do MC Guime, que faz alusão à popularidade e sucesso do esporte no Brasil, não sustenta seu significado, visto que, durante 4 décadas, metade da população estava proibida de pratica-lo. Desse modo, jogadoras como Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo pela FIFA, precisam conviver com os efeitos de uma lei que é sentida até hoje, enfrentado todo o preconceito e a falta de estrutura para atingirem seus sonhos profissionais. Nesse sentido, encontra-se uma realidade em que apenas em 2013 foi criado o Brasileirão Feminino pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e que a melhor jogadora da nação (Marta) ganha apenas cerca de 1,3% a cada gol o que o melhor jogador (Neymar) ganha, de acordo com dados da UOL.
Em vista disso, é inadmissível que apenas em 2019 o Brasil tenha presenciado a primeira transmissão em uma rede de televisão aberta de uma Copa do Mundo Feminina da FIFA. Desse jeito, a representatividade do futebol feminino na mídia precisa receber um foco maior, buscando aproximar algo que por um grande período foi afastado da população. Assim, é impossível querer mais investimento, patrocinadores e equiparidade salarial entre homens e mulheres sem que antes haja uma visibilidade merecida dos jogos, atraindo e movimentando capital dentro da modalidade.
Isso dito, faz-se necessário uma mudança, a fim de que as atletas do futebol deixem de conseguir bons resultados “apesar” da estrutura brasileira, e sim, passem a contar com ela. Dessarte, urge que as redes de televisão, rádio e internet promovam a visibilidade desse esporte feminino a partir do desenvolvimento, tanto em quantidade, quanto em qualidade da transmissão de jogos, tanto de clubes, quanto de seleções. Isso feito, propriciar-se-á o crescimento e o conhecimento da modalidade pela população, além de quebrar os preconceitos vigentes, atraindo cada vez mais público e investidores. Dessa maneira, almeja-se um crescimento mais ascentuado do esporte, “quebrando as correntes” daquela Lei de 1941 que ainda aprisiona o futebol feminino do Brasil.