O papel da mulher no futebol
Enviada em 04/05/2021
Djamila Ribeiro, mulher negra, feminista filósofa e escritora brasileira, declara que sua luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor sua existência numa sociedade que insiste em negá-la. Evidentemente, a declaração de Djamila faz jus a luta das mulheres para ocupar determinados espaços sociais. A par disso, os impasses corroborados pela influência do legado histórico e pela falta de investimento resultam num cenário desafiador para a execução do papel feminino no futebol.
Em primeiro plano, é fundamental analisar como os resquícios histórico-culturais da formação social influem decisivamente no inserimento da mulher nas práticas futebolistas. Nesse sentido, no livro “O segundo sexo”, de Simone Beauvoir, é avaliado o desenvolvimento da opressão masculina por meio da análise da história, da literatura e dos mitos, de maneira que se evidencia os efeitos contemporâneos dessa opressão ao fato de ter-se estabelecido o masculino como norma positiva. Sob essa perspectiva, no que tange a questão da má aceitação das mulheres no âmbito esportivo é notório que isto se relaciona ao reflexo da estigmatização do papel que a sociedade machista patriarcal historicamente impõe sobre a mulher, de maneira que o homem é colocado como superior.
Ademais, convém ressaltar como o precário investimento econômico para com a presença feminina no futebol é conseguinte para a consolidação da falta de reconhecimento da mulher. Nesse viés, sabe-se que a base de uma sociedade capitalista é o capital, conforme explicam filósofos como Marx. No entanto, há uma lacuna de investimento na questão da implantação do papel da mulher nos esportes que tem sido negligenciada e colocada em posição desfavorável, principalmente no que rege a questão do pagamento dos salários dos jogadores de futebol, no qual as jogadoras recebem muito menos que os homens, como os dados levantados por análise da Uol em 2018 revelam. Sob essa análise, é perceptível como o reconhecimento na figura de capital do trabalho feminino perante as práticas esportivas é negligenciado e desvaloriza a capacidade e o trabalho das mulheres lheres nesse âmbito social.
Portanto, fica evidente que o papel da mulher no futebol se relaciona a resistência e enfrentamento de variados empecilhos sociais. Em vista disso, cabe ao Estado agir na ampliação de políticas públicas que visem oferecer aos espaços esportivos adequação no tratamento e reconhecimento feminino, isso por meio de projetos de leis entregues aos órgãos sociais vigentes responsáveis pelo amparo e democratização do acesso das camadas sociais ao lazer e à cultura, a fim de que com um maior reconhecimento e um tratamento adequado e igualitário as mulheres possam executar um papel favorável no futebol.